Mais de metade das unidades de produção da aguardente em Cabo Verde funcionam sem licença, sendo que um terço destas laboram sem as mínimas infraestruturas e condições de higiene, revelou a Inspeção-Geral das Atividades Económicas (IGAE). Segundo dados da IGAE, citados pela agência cabo-verdiana de notícias Inforpress, cerca de 60% das 312 unidades de produção de aguardente de cana (grogue) no arquipélago não têm licença de funcionamento, sendo que 35% dessas unidades não apresentam as mínimas condições, nomeadamente no que respeita às boas práticas de fabrico, higienização, infraestruturas.

Os dados revelam ainda que o país tem 300 produtores ilegais de bebidas compostas (ponche, licores), cuja produção ronda os 300 milhões de litros/ano. Nos seis meses destinados à industrialização do grogue (janeiro a junho), a produção rondou os 10 milhões de litros, assegurada por 380 alambiques (um pouco mais de um alambique por unidade de produção), sendo que 10% da produção foi utilizada no fabrico de bebidas compostas.

Cabo Verde aprovou em 2015 uma nova lei que regula a produção e comercialização da aguardente de cana-de-açúcar, tradicionalmente conhecida por grogue, com vista a reforçar a fiscalização deste setor. A nova legislação define normas orientadoras para a produção, nomeadamente relacionadas com a higiene, proteção do meio ambiente, proteção e promoção da saúde pública e os direitos dos consumidores e dos produtores.

O consumo do grogue de má qualidade tem causado várias mortes no arquipélago e deixado muita gente incapacitada, por serem adicionadas matérias-primas nocivas à saúde, e provocando a desvalorização do produto. Os produtores de “grogue”, na sua maioria concentrados nas ilhas de Santiago e Santo Antão, têm recebido formação para adequar as unidades de produção às novas exigências legislativas.

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