Espionagem

Filha do espião envenenado recusa ajuda de embaixada russa e pede à prima que não a contacte

Em comunicado, a filha do ex-espião russo que foi envenenada no Reino Unido recusou a ajuda da embaixada russa e pediu que a prima que está na Rússia não a visite ou tente contactar.

Yulia Skripal, a filha do ex-espião russo que foi envenenada juntamente com o pai com o agente nervoso Novichok, recusa contactar com a embaixada russa e com a sua prima Viktoria, que se encontra em Moscovo. O anúncio foi feito através de um comunicado divulgado pela Polícia Metropolitana de Londres.

A filha de Sergei Skripal, que recebeu alta esta segunda-feira, disse ter recebido um contacto da embaixada russa no Reino Unido, mas “de momento não desejo os seus serviços”, acrescentando que “se mudar de ideias sei como contactá-los”. De acordo com a CNN, o Ministério das Relações Externas do Reino Unido informou que a assistência consular a Yulia e Sergei Skripal foi recusada.

A mulher de 33 anos explica ainda que não está ainda preparada para falar com os meios de comunicação e pede que ninguém fale em seu nome ou em nome do pai. No mesmo comunicado aproveita ainda para agradecer a preocupação que a prima Viktoria tem demonstrado, mas faz um pedido: “peço-lhe que não me visite ou me tente contactar neste momento”.

Yulia Skripal, que recebeu alta do Hospital de Salisbury na segunda-feira, diz que se encontra “numa vida completamente diferente”, mas que está a receber a ajuda e apoio necessários para se adaptar a ela.

Tenho polícias treinados que estão disponíveis para mim, que me estão a ajudar a tomar conta de mim e a explicar-me o processo de investigação que está a ser levado a cabo”, pode ler-se no comunicado.

Num comunicado divulgado anteriormente pela mesma força policial, tinha agradecido a todos os funcionários do hospital onde esteve internada pelo “cuidado e profissionalismo”.  Apesar de já ter saído do hospital, Yulia Skripal afirmou que ainda está a sofrer em consequência do agente nervoso utilizado contra si e o seu pai, que, segundo ela, “ainda se encontra gravemente doente”.

O ataque ao ex-espião russo e à sua filha numa cidade do Reino Unido está a criar mau estar entre as principais potências do Ocidente e a Rússia e já levou à expulsão de mais de uma centena de diplomatas russos dos Estados Unidos, Reino Unido e de vários outros países da União Europeia. O Reino Unido continua a insistir que o ataque foi executado pela Rússia e expulsou 23 diplomatas russos do país, uma decisão que mereceu uma resposta recíproca por parte do Kremlin, ao mandar embora um número igual de diplomatas britânicos, além de ter suspendido a atividade do British Council no país. Portugal decidiu não expulsar qualquer diplomata russo.

Apesar da convicção britânica de que o envenenamento foi cometido pela Rússia, o laboratório militar de Porton Down, no Reino Unido, não conseguiu detetar a origem do químico. No entanto, o diretor do laboratório, Gary Aitkenhead, disse que o veneno só pode ter sido produzido por um Estado, uma vez que exige “métodos extremamente sofisticados”.

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