“BlacKkKlansman”, o novo filme de Spike Lee que nos Estados Unidos da América chegará às salas de cinema em agosto (um ano depois dos protestos de supremacistas brancos em Charlottesville), inspira-se na história real de Ron Stallworth, um polícia negro que se conseguiu infiltrar no Ku Klux Klan em 1978. É um dos filmes que competirá pela Palma de Ouro na próxima edição do festival de Cannes, que se realiza de 8 a 19 de maio.

O filme conta com Jordan Peele (realizador de “Get Out“) entre os produtores e com John David Washington, Adam Driver, Laura Harrier e Topher Grace no elenco. Na secção de competição, competirá com “Leto (L’Été)”, de Kirill Serebrennikov , “Yomeddine”, de A.B Shawky, “Lazzaro Felice”, de Alice Rohrwacher, “Zimna Wojna (Cold War)”, de Pawel Pawlikowski, “Three Faces”, de Jafar Panahi, “Under the Silver Lake”, de David Robert Mitchell, “Buh-Ning (Burning)”, de Lee Chang-Dong, “Capharnaum”, de Nadine Labaki e”Shoplifters”, de Kore-EdaHirozaku.

[“En Guerre“, de Stéphane Brizé autor de “A Lei do Mercado”, de 2015 , é um dos filmes que competirá em Cannes:]

“Ash is purest white”, de Jia Zhang-Ke, “Les filles du soleil (Girls of the Sun)”, de Eva Husson, “Plaire Aimer et Courir Vite”, de Cristophe Honoré, “Netemo Sameteno”, de Ryusuke Hamaguchi, “Le Livre d’Image”, de Jean-Luc Godard, “Dogman”, de Matteo Garrone, “En guerre (At War)”, de Stéphane Brizé e “Todos Lo Saben”, de Asghar Farhadi — filme com Penélope Cruz que abrirá o festival — são os restantes filmes que vão lutar pela Palma de Ouro.

[O primeiro ‘teaser’ de “Todos Le Saben“, filme que vai abrir a próxima edição do festival de Cannes:]

Na conferência de imprensa de apresentação do festival, em que estiveram o presidente do Festival de Cannes, Pierre Lescure e o diretor do júri, Thierry Fremaux, foi revelado terem sido vistos mais de mil filmes para selecionar a lista final.

Já foram anunciados também os filmes da secção “Special Screenings”. Entre eles estão “Papa Francisco: Um Homem de Palavra” (um documentário de Wim Wenders sobre o Papa), “The State Against Mandela and the Others” (de Nicholas Champeaux & Gilles Porte), “La Traversée” (de Romain Goupil), “To The Four Winds” (de Michel Toesca), “Les Ames Mortes” (de Wang Bing), “O grande circo místico” (uma produção luso-brasileira, com realização de Carlo Diegues) e “10 years in Thailand” (de Aditya Assarat, Wisit Sasanatieng, Chulayarnon Sriphol e Apichatpong Weerasethakul).

“Han Solo: a História de StarWars”, o novo filme da icónica saga Guerra das Estrelas, será apresentado no festival fora de competição. Para a secção “Un Certain Regard”, foram selecionados filmes de Luis Ortega (“Et Angel”), Valeria Golino (“Euphoria”) e Vanessa Filho (“Gueule d’Ange”), entre outros.

Para esta edição, a Netflix decidiu não apresentar a concurso qualquer filme produzido pela plataforma de streaming, em resposta à alteração das regras do festival, que passaram a impor a passagem dos filmes a concurso por salas de cinema francesas. “Queremos estar em pé de igualdade com outros realizadores”, disse o diretor de conteúdos da Netflix, Ted Sarandos, em entrevista na quarta-feira à revista norte-americana Variety.

Cannes assinalará ainda os 50 anos de “2001: Odisseia no Espaço” e os 90 do nascimento do realizador Stanley Kubrick, com a estreia de uma cópia de 70 mm, numa que será apresentada por Christopher Nolan.

Presença de Panahi e Serebrennikov com significado político

Da lista de cineastas convocados, e num gesto político internacional, a organização do festival disse que conta ter em Cannes o realizador iraniano Jafar Panahi e o russo Kirill Serebrennikov, que têm sofrido pressões políticas nos respetivos países.

Frémaux explicou que enviou uma carta às autoridades iranianas a pedir para que Jafar Panahi possa viajar para Cannes. Impedido de sair do país, o realizador iraniano dissidente tem filmado de forma praticamente clandestina e em 2015 conseguiu mostrar o filme “Taxi” em Berlim, recebendo o prémio Urso de Ouro.

Kirill Serebrennikov, diretor artístico do Centro Gogol, foi detido em 2017 e mantido em prisão domiciliária, por suspeita do desvio de fundos públicos. Pela dimensão mediática, o presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou qualquer ação de censura ou pressão sobre o encenador e realizador. A ida do realizador a Cannes, face a essa condição, é ainda uma incógnita. Os responsáveis do festival já pediram às autoridades russas que possibilitassem a presença de Serebrennikov em território francês, nessa data.

Questionado pelos jornalistas sobre a ausência de “O homem que matou D. Quixote”, de Terry Gilliam, Thierry Frémaux respondeu, de forma lacónica, que a seleção não está ainda fechada e que há processos judiciais a decorrerem em tribunal.

O 71.º Festival de Cannes decorrerá de 08 a 19 de maio e o júri será presidido pela atriz australiana Cate Blanchett.