Crimes Sexuais

Queixosa nega ter “fabricado” acusação a Bill Cosby de crimes sexuais

Andrea Constand disse que "não teve qualquer conversa" para aliciar o testemunho de Marguerite Jackson contra o comediante Bill Cosby. Defese pretende chamar Jackson como testemunha.

TRACIE VAN AUKEN/EPA

Autor
  • Agência Lusa

A queixosa Andrea Constand negou esta segunda-feira que tenha “fabricado” acusação para incriminar o comediante Bill Cosby, que está a ser julgado por alegados crimes sexuais por um tribunal de Norristown, cidade do estado norte-americano de Pensilvânia. O advogado de Bill Cosby, Tom Meserau, questionou esta segunda-feira Constand também sobre a possibilidade de a mulher ter combinado com Marguerite Jackson uma acusação contra o septuagenário comediante.

Constand respondeu que “não teve qualquer conversa” para aliciar o testemunho de Marguerite Jackson, que trabalhava igualmente na Universidade de Temple na altura em que a queixosa disse que Cosby drogou-a e molestou-a sexualmente, em 2004. A defesa de Cosby pretende chamar como testemunha Marguerite Jackson, que disse já que trabalhou com Constand, foram amigas e partilharam quartos de hotel por várias vezes.

O juiz inviabilizou o testemunho de Jakson em tribunal na última sessão de julgamento, enquanto decorrer as inquirições a Constand, de 45 anos. O ator norte-americano Bill Cosby responde em tribunal por acusações de agressão sexual no caso de Andrea Constand, uma das mais de 50 mulheres que denunciaram o comediante.

Cosby conhecido como “o papá da América”, é acusado de três crimes de agressão sexual agravada, um delito que tipifica as violações ou agressões sexuais e que pode ser punido com penas de até 10 anos de prisão. Cosby, protagonista de programas de sucesso como “The Cosby Show”, rejeitou em várias ocasiões as acusações de abusos sexuais e assegura que a sua relação com Constand foi consensual.

A mulher, que atualmente vive no Canadá, não compareceu nas audiências preliminares no início do julgamento e um detetive leu o testemunho que a mulher deu à polícia há 11 anos. Constand relatou que numa noite, em princípios de 2004, o artista a drogou e violou na sua mansão na localidade de Chelteham, atos que dezenas de outras mulheres também denunciaram.

Os defensores de Cosby criticaram a Justiça por não chamar Constand a testemunhar e insistiram na necessidade de que a juíza chame a mulher para permitir que os advogados de ambas as partes possam fazer perguntas, um pedido que lhes foi negado previamente. No entanto, entre as testemunhas chamadas pela justiça encontram-se 13 mulheres que acusam Cosby de as ter drogado para depois abusar delas sexualmente, um comportamento considerado “um padrão” repetido durante décadas.

Entre as alegadas vítimas, há aspirantes a atrizes, uma assistente de bordo, uma empregada de limpeza e uma massagista. As denúncias de abusos remontam à década de 1960 e já prescreveram, pelo que a justiça norte-americana acredita que o caso de Constand pode ser crucial para provar as agressões sexuais que supostamente sofreram dezenas de mulheres durante anos.

Quando Andrea Constand processou Cosby, o ator alcançou um acordo para indemnizar a mulher – no valor de 3,4 milhões de dólares (2,7 milhões de euros) – e evitar a abertura de um processo criminal contra ele, mas a divulgação do testemunho da vítima provocou a reabertura do caso. Bill Cosby foi o primeiro negro nos Estados Unidos a ter o seu próprio programa de televisão nos anos 60 e tornou-se uma referência na comédia televisiva daquele país durante décadas. Agora, enfrenta um dos julgamentos mais mediáticos de sempre envolvendo uma estrela de Hollywood.

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