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Universidade de Cambridge responde às suspeitas levantadas por Mark Zuckerberg

Universidade de Cambridge está "surpreendida" com as declarações do líder do Facebook, no Congresso norte-americano, sobre o programa dos investigadores que recorrem à plataforma para testar apps.

Mark Zuckerberg esteve a ser ouvido no Congresso na última terça-feira e quarta-feira

Getty Images

Mark Zuckerberg esteve no Congresso norte-americano na semana passada a responder a perguntas no Senado e na Câmara dos Representantes durante 10 horas. Na segunda audição, o líder do Facebook disse que Alexander Kogan (o programador que vendeu os dados de 87 milhões de utilizadores à Cambridge Analytica) não era o único investigador da Universidade de Cambridge que estava usar a plataforma do Facebook para testar apps e que só agora tinha descoberto que a instituição tinha um programa que permitia a vários investigadores usarem dados dos utilizadores da rede social e de amigos.

No Congresso, o empresário acabou por dizer que era preciso saber “se estava a acontecer alguma coisa má na Universidade de Cambridge, que exigia uma reação mais forte” por parte do Facebook.

Em comunicado, a prestigiada universidade britânica disse que estava “surpreendida” com o facto de Zuckerberg só agora ter tido conhecimento do número de investigadores que estudam o que os dados do Facebook dizem sobre a personalidade dos utilizadores.

Os nossos investigadores têm vindo a publicar estudos destes em jornais científicos, desde 2003, e esses estudos têm sido difundidos amplamente por órgãos de comunicação internacionais”, escreveu a universidade num comunicado citado pela Bloomberg.

O Cambridge Psychometrics Centre, que pertence à mesma universidade, dedica-se a desenvolver ferramentas de avaliação psicológica, testes de personalidade e ferramentas de software que podem avaliar a personalidade dos utilizadores a partir de dados online.

O interface Apply Magic Sauce é um dos resultados das investigações do centro e permite que outras empresas acedam a dados do Facebook e do Twitter. Exemplos: a empresa de relações públicas Grayling Communications, que usou o interface para criar três aplicações de Facebook para a cadeia de hotéis norte-americana Hilton, a empresa de software alemã SAP e o grupo de recrutamento espanhol Grupo Effort, entre outras.  Os dados que recolhem são fornecidos com o consentimento dos utilizadores e não há provas de que tenham utilizado indevidamente dados provenientes de redes sociais.

A empresa de análise de dados nova-iorquina Cubeyou, que foi suspensa do Facebook depois de terem surgido queixas de que usaria dados pessoais de utilizadores para propósitos comerciais sob o pretexto de “investigação académica”, afirmou que o seu teste de personalidade também tinha sido desenvolvida pelo Cambridge Psychometrics Centre”. Mas a instituição veio defender-se e disse que a ligação da empresa ao centro foi “exagerada” pela Cubeyou.

De acordo com uma fonte próxima do processo, quando Alexander Kogan tentou vender os dados à Cambridge Analytica, a afiliada britânica SCL contactou o Cambridge Psychometrics Center e informou os responsáveis sobre a iniciativa do investigador. Segundo o Financial Times, os advogados da universidade também chegaram a trocar emails com Kogan sobre direitos de propriedade intelectual, mas a universidade terá desistido da queixa.

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