Maratona

Sarah Sellers, a enfermeira que queria acompanhar o irmão e fez história na maratona de Boston

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Inscreveu-se por acaso. Correu a segunda metade da prova em menos tempo que a primeira metade e acabou por surpreender-se com o resultado final: acabou em segundo lugar entre as mulheres.

Ela só queria mesmo acompanhar o irmão e, por isso, inscreveu-se na maratona de Boston. Pura amadora, quando cruzou a linha da meta não trazia visíveis os habituais símbolos dos patrocinadores que saltam do equipamento dos principais candidatos a um lugar de destaque na corrida. Top azul, calções negros, umas braçadeiras brancas e o chapéu na cabeça. Mas a verdade é que Sellers acabou por bater a esmagadora maioria da concorrência, com um tempo de 2 horas, 44 minutos e quatro segundos. Ficou num (muito surpreendente) segundo lugar na prova feminina. “Vou acordar e isto vai ser tudo um sonho”, disse a enfermeira anestesista, de 26 anos, citada pelo Washington Post.

Não foi um sonho. E o mais curioso desta história é mesmo forma como tudo aconteceu com aparente normalidade — pelo menos, até Sellers arrebatar o segundo lugar da competição, numa manhã em que a vitória, pelo lado das mulheres, voltou a ser conquistada por uma norte-americana (não acontecia desde 1985) e em que outras norte-americanas ocuparam sete dos primeiros dez lugares da tabela.

Sellers fez a parte que lhe dizia respeito. Os turnos de 10 horas por dia no centro de cuidados médicos em Tucson não lhe deixavam muito tempo para treinar. Mas, ainda assim, encontrou duas hipóteses: começar a treinar às quatro horas da manhã, antes de começar o turno, ou a partir das sete da tarde, quando saía do centro. Seis dias por semana, Sellers foi para a estrada. Somou mais de 160 quilómetros por semana, quase sempre sozinha, enquanto se preparava para a verdadeira prova: a maratona de Boston.

“As condições [metereológicas] foram o elemento surpresa com que todos tiveram de lidar, mas penso que isso jogou a meu favor”, disse Sellers, ao telefone, ainda incrédula com o facto de o seu nome constar da mesma lista (e à frente!) de nomes que se habituou a admirar nas provas de fundo. Chovia com intensidade quando cruzou a meta e apertou o botão do relógio que trazia ao pulso e que lhe foi dando indicação de como estava a correr a prova.

Analisando o tempo que levava quando comecei a corrida, eu não deveria estar na mesma página que qualquer das 20 mulheres de todo” que participaram na maratona de Boston. “Elas estão numa liga diferente da minha”, assumia a enfermeira.

Em setembro, Sellers conseguiu um tempo de 2 horas, 44 minutos e 27 segundos na maratona de Hunstville, uma marca que lhe valeu a qualificação para Boston. Curiosidade: Sellers correu a segunda metade da prova a um ritmo mais elevado que a primeira metade.

O lugar no pódio não foi apenas simbólico. A enfermeira recebeu um prémio de 75 mil dólares (cerca e 60,5 mil euros) que já tem destino: é dinheiro que vai ajudar a pagar os empréstimos que o marido contraiu para poder estudar.

Desafio seguinte: tentar a qualificação para a maratona olímpica de 2020. Para isso, precisa de baixar a prestação para as 2 horas e 37 minutos. Mas a corrida vai continuar a ser um hóbi, uma vez que não pensa abdicar do trabalho como enfermeira. Ah! E o irmão, de 24 anos, acabou com um tempo de 2 horas, 48 minutos e 20 segundos — quatro minutos e 16 segundos atrás de Sellers.

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