Timor-Leste

Timor-Leste com um dos índices mais elevados do mundo de doença cardíaca reumática

Timor-Leste tem um dos índices mais elevados de doença cardíaca reumática do mundo, com uma em cada 28 pessoas afetadas, com o número a ser ainda mais elevado entre raparigas.

JIM HOLLANDER/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Um estudo australiano demonstrou que Timor-Leste tem um dos índices mais elevados de doença cardíaca reumática do mundo, com a maioria dos casos por diagnosticar, até que crianças e jovens desenvolvem graves problemas.

“Fiquei e continuo a ficar surpreendido pela prevalência e pelo número de casos que encontro. A prevalência é das mais elevadas do mundo”, disse à Lusa Josh Francis, da Menzies School of Health Research, sediada em Darwin, e que liderou o estudo.

Em Díli, onde equipas de investigadores, médicos e pediatras timorenses e australianos estão a conduzir uma segunda fase do estudo, Francis afirmou que apesar da doença poder ser prevenida e tratada, muitos dos casos tardam em ser diagnosticados.

A doença começa com uma infeção, que pode ser tratada facilmente se detetada a tempo, mas pode degenerar e causar graves problemas ao paciente, incluindo danos às válvulas do coração.

Neste dia, os jovens da Escola do Sagrado Coração de Jesus, em Becora, um dos bairros mais populosos da capital timorense, está a ser testado com máquinas portáteis de ecocardiograma, incluindo as mais recentes que são do tamanho de um smartphone. Tecnologia que apesar de cara permite detetar com muito mais eficácia, em mais locais e em regiões mais isoladas, uma doença que, outrora, só era detetada com o estetoscópio, instrumento que podia deixar escapar “até metade dos casos”.

É a segunda fase de um estudo que já demonstrou que Timor-Leste tem um dos índices mais elevados de doença cardíaca reumática do mundo, com uma em cada 28 pessoas afetadas, com o número a ser ainda mais elevado (uma em 20) entre raparigas.

Da responsabilidade de uma equipa de especialistas australianos e timorenses, o estudo foi encomendado pela organização East Timor Hearts Fund e envolveu a Menzies School of Health Research e o Telethon Kids Institute. O trabalho, publicado na última edição do Medical Journal of Australia, envolveu mais de 1.400 crianças em idade escolar em Díli e Ermera e representou a primeira análise de sempre à prevalência da doença no país.

Os dados confirmaram uma prevalência da doença de 3,5%, entre os mais elevados do mundo, sendo que a quase totalidade dos casos identificados não tinham, até então, sido diagnosticados. Os valores podem ser ainda mais elevados já que muitos casos podem não ser diagnosticados e algumas das crianças afetadas podem não ter ido à escola na altura em que o estudo estava a ser feito.

Daí que os investigadores tenham querido ampliar a base de análise regressado a Timor-Leste para, esperam, estudar entre 2.500 e três mil jovens, os primeiros na escola de Becora.

A maior parte dos casos da doença começa com um episódio de faringite estreptocócica ou outra infeção que, por diagnóstico desadequado ou falta de tratamento, acaba por levar a febre reumática, uma doença inflamatória que pode afetar o coração, articulações, pele e cérebro. Em cerca de metade dos casos, a doença afeta o coração, causando lesões nas válvulas cardíacas, condição denominada por doença cardíaca reumática.

Globalmente, a doença — que pode ser prevenida e tratada — afeta mais de 32 milhões de pessoas, sendo responsável por cerca de 275 mil mortes por ano, de acordo com dados da World Heart Federation. A desnutrição e a pobreza são alguns dos principais fatores de risco da doença que é mais prevalente em países em vias de desenvolvimento e entre povos indígenas em países desenvolvidos.

“Aqui há duas questões, primeiro a prevenção: a doença é causada por infeções e por isso é essencial melhorar o acesso aos serviços de saúde, melhor o tratamento de infeções comuns. Depois podemos trabalhar nas escolas, ajudar médicos e enfermeiros timorenses para poderem detetar melhor estes casos”, afirmou Francis. O investigador explicou que a equipa está a trabalhar com as autoridades timorenses, incluindo o Ministério da Saúde, para tentar definir um eventual plano de ação para lidar com o problema.

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