A empresa de análise de dados britânica Cambridge Analytica — que utilizou indevidamente os dados de 87 milhões de utilizadores de Facebook — tentou desenvolver a sua própria criptomoeda no ano passado, para judar a recolher dados pessoais de utilizadores e vendê-los. A empresa que tem estado sob atenção mediática desde março chegou a planear lançar uma oferta inicial de moedas digitais (ICO), avançam a Reuters e o The New York Times esta quarta-feira.

12 coisas que tem de saber para perceber a polémica do Facebook e da Cambridge Analytica

Fontes que não quiseram ser identificadas disseram à Reuters que a Cambridge Analytica esperava angariar cerca de 30 milhões de dólares com esta operação. A empresa confirmou depois à agência noticiosa que já tinha explorado a tecnologia blockchain, mas não revelou se o plano se mantinha.

Segundo o the New York Times, na impossibilidade de ter a sua própria criptomeda, a Cambridge Analytica tentou promover uma moeda digital que é apoiada por um gangster de Macau, Wan Kuok-koi.

Em março, Christopher Wylie revelou ao The Guardian e ao The New York Times, que a empresa britânica tinha utilizado indevidamente dados de 50 milhões de utilizadores do Facebook (a rede social acabaria por dizer mais tarde que eram afinal 87 milhões) para ajudar a eleger Donald Trump, a quem fazia consultadoria.

Os dados foram recolhidos por um investigador da Universidade de Cambridge, que testou a app thisisyourdigitallife junto de um grupo de pessoas  no Facebook “para uso académico”. Ao darem consentimento para a app aceder aos seus dados, deram também permissão para que o programador AlexanderKogan acedesse aos dados dos seus amigos. O ICO estava a ser planeado quando o escândalo do Facebook surgiu.

O caso fez com que Mark Zuckerberg, fundador e presidente do Facebook, fosse questionado durante 10 horas em duas audições no Congresso norte-americano: cinco horas no Senado e cinco na Câmara dos Representantes. Também levou a que a rede social lançasse uma série de novas medidas para proteger mais a privacidade dos cerca de 2 mil utilizadores.

As 12 coisas que Zuckerberg não esclareceu no Congresso americano