O presidente do Governo dos Açores disse esta quarta-feira querer “fundar um novo futuro” nas relações com o estado brasileiro de Santa Catarina, que por estes dias recebe uma visita do executivo açoriano e vários deputados da região. “Aqui chegados, 270 anos passados sobre o aventureirismo da partida, 270 anos decorridos sobre a excitação da chegada e esperança de uma nova vida, é tempo de fundar um novo futuro”, advogou Vasco Cordeiro, falando esta tarde em Florianópolis, na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina.

Na intervenção perante os deputados brasileiros – tida cerca das 16h00 locais, menos quatro que em Lisboa -, o chefe do executivo açoriano assinalou que a região progrediu “como nunca na sua história” nos últimos 40 anos, “mercê” da autonomia, vincando áreas de evolução positiva como infraestruturas públicas, apoios à iniciativa privada empresarial, cultura, educação ou novas tecnologias.

Contudo, reconheceu Vasco Cordeiro, há “desafios” para superar e, nesta fase, os Açores predispõem-se “a um novo patamar de relacionamento externo, apresentando-se às suas comunidades espalhadas pelo mundo, mas também a regiões e estados” com quem têm “ligações históricas”. O arquipélago português, valorizou posteriormente o presidente do Governo dos Açores, representa uma “vantagem estratégica óbvia”, nomeadamente na dimensão da sua área de Zona Económica Exclusiva.

Entre os Açores e Santa Catarina deve existir também, defende Vasco Cordeiro, “reforço de parcerias” em áreas como a ciência e investigação, recolhendo benefícios à imagem do que foi feito em campos como história ou cultura. Aquela que é a primeira deslocação de Vasco Cordeiro ao Brasil enquanto presidente do executivo açoriano decorre na sequência da declaração de 2018 como “Ano dos Açores em Santa Catarina”, onde, entre 1748 e 1754, desembarcaram os primeiros emigrantes da região autónoma.

Ainda em Santa Catarina, Vasco Cordeiro visita esta tarde a Feira Catarinense do Livro, que inclui um ‘stand’ dos Açores, assim como a exposição “Antero de Quental e Vitorino Nemésio: Verbos Vivos da Cultura Açoriana”, uma iniciativa do Governo dos Açores que estará patente na Galeria de Arte do Mercado Público daquela cidade brasileira. Na quinta-feira, além de um encontro com o prefeito de Florianópolis, Gean Marques Loureiro, o presidente do Governo Regional dos Açores preside à cerimónia de abertura do congresso “270 Anos de Presença Açoriana em Santa Catarina: Mar, História, Património, Literatura e Identidade”.

Organizado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e Academia Catarinense de Letras, este congresso conta com o apoio do Governo dos Açores, da Fundação Catarinense de Cultura, da Associação Catarinense de Imprensa/Casa do Jornalista, da Prefeitura de Florianópolis e das Universidades dos Açores e de Salamanca. A deslocação oficial incluirá ainda, nos dias seguintes, passagem pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, onde o socialista terá encontros com as comunidades naquelas cidades e presidirá ao lançamento do livro “Uma Página sobre Vitorino Nemésio”, que vai decorrer na Casa dos Açores do Rio Janeiro.

A convite de Vasco Cordeiro, a comitiva que viaja ao Brasil integra ainda os presidentes das Câmaras Municipais de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Praia da Vitória – cidades geminadas com Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina -, bem como alguns deputados da comissão de Política Geral do parlamento açoriano. O Brasil constituiu o destino da primeira vaga sistemática de emigração açoriana a partir do século XVIII, nomeadamente para o sul do país. Após este período verificou-se um grande fluxo migratório, em finais do século XIX e no início e primeira metade do século XX, em concreto para os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.