Depois da guerra comercial das últimas semanas, que teve Trump e Xi Jinping como protagonistas, durante a qual se trocaram ameaças e prometeram impostos, tudo porque os americanos pretendiam ter uma balança comercial mais equilibrada, eis que finalmente se fez luz. Ou melhor, se fez marcha-atrás e foi toda da máquina chinesa.

Até agora, os chineses – conscientes de que são o maior mercado do mundo – sempre impuseram as suas leis em quase tudo, com destaque para a venda de veículos. Para vender automóveis na China, as marcas europeias, americanas e japonesas tinham de produzir localmente, isto se queriam evitar pesados impostos ou não ver limitados o número de unidades. Estas regras proteccionistas nunca impediram, contudo, que as autoridades chinesas exigissem total abertura nos mercados para onde queriam exportar os seus produtos, o que explica que aquele país do oriente tenha uma balança comercial altamente desequilibrada – a seu favor, é claro – com praticamente todos os países com quem negoceia.

Se para vender livremente era necessário montar uma fábrica na China, para o conseguir era necessário encontrar um “sócio” chinês que fizesse ‘o favor’ de receber, gratuitamente ou quase, 50% da empresa. Com estes sócios a serem sempre representantes do Estado.

Isso vai acabar. Sem que nada o fizesse esperar, a China deixou cair a imposição de os construtores de automóveis terem de criar empresas locais em joint-venture com sócios do país, mas só a partir de 2020. Esta regra foi criada em 1994, para defender as empresas da República Popular da China da invasão das empresas capitalistas, isto segundo a visão das autoridades locais.

E se 2020 é o ano previsto para a grande abertura para os fabricantes de veículos em termos gerais, para os veículos eléctricos as limitações deverão ser levantadas ainda em 2018. Tudo porque os chineses têm graves problemas com a qualidade do ar nas grandes cidades e precisam de carros eléctricos.

A Tesla já tinha manifestado o seu desagrado pela necessidade de “oferecer” sociedade a uma empresa local, que depois  necessariamente se apropriaria da sua tecnologia, o mesmo acontecendo com a Nissan, que fez também constar o seu descontentamento.