Era, desde o início, uma relação condenada a falhar. A ida de Neymar para o PSG foi envolta em polémica, falatório e dinheiro. Muito dinheiro. A verdade é que, apesar de uns comentários demasiado sinceros do jogador brasileiro, tudo pareceu correr às mil maravilhas até ao dia 25 de fevereiro, quando Neymar se lesionou durante o jogo com o Marselha. Numa primeira fase, tudo apontava para que a fratura do quinto metatarso do pé direito não fosse grave e o jogador do PSG pudesse voltar aos relvados depressa e a tempo do final da época. Mas Neymar teve mesmo de ser operado, no início de março, e para isso regressou ao Brasil.

E por lá ficou. Neymar está no país onde nasceu desde o princípio do mês de março e, por agora, não revela qualquer intenção de voltar a Paris. O jogador tem publicado nas redes sociais várias fotografias e vídeos durante sessões de fisioterapia, o que indica que optou mesmo por realizar o tratamento no Brasil. Os rumores começaram a aparecer: Neymar estava a preparar a saída do clube de Paris.

Para colocar um ponto final às manchetes de jornais, Nasser Al-Khelaifi, o presidente do PSG, decidiu deslocar-se até à mansão de Neymar em Mangaratiba para convencer o futebolista a regressar e terminar o tratamento em Paris. A resposta foi simples: “Não”. O El País conta que Al-Khelaifi – que se fez acompanhar de Antero Henrique, diretor desportivo, e do diretor de comunicação – ficou completamente devastado e fez tudo o que estava ao seu alcance para mudar a intenção de Neymar, incluindo injetar um pequena fortuna no Instituto Projeto Neymar Júnior, a fundação do jogador que acolhe 2.500 crianças das favelas que não têm recursos para estudar.

A partir daí, as coisas pioraram ainda mais: Neymar deixou de enviar mensagens de apoio e encorajamento aos colegas de equipa nas redes sociais e a indiferença em relação ao clube atingiu o seu pico este fim-de-semana. No domingo, o PSG sagrou-se campeão francês ao vencer o Mónaco de Leonardo Jardim por 7-1. Ao mesmo tempo, Neymar partilhava no Instagram um vídeo a jogar póquer online. A reação só chegou no dia seguinte, segunda-feira, quando o jogador brasileiro escreveu: “Queria muito estar mais perto de vocês. Parabéns, rapaziada!”.

Mas, se quiser sair do clube antes do dia 1 de setembro – data de encerramento do mercado de transferências -, Neymar terá de negociar com a família Al-Thani do Qatar, os proprietários do PSG, já que a cláusula de rescisão só entra em vigor a partir dessa data. Até 1 de setembro, o brasileiro só pode sair do clube francês com o consentimento da direção dos franceses. A cláusula desce de valor caso o jogador não tenha atingido os objetivos coletivos e individuais: ganhar a Liga dos Campeões, ganhar a Bola de Ouro ou ser o jogador do ano para a FIFA seriam o tipo de títulos que engordariam os termos da para colocar fim ao contrato. Ainda assim, e em qualquer caso, a saída de Neymar do PSG nunca ficaria abaixo dos 300 milhões de euros.

A verdade é que o jogador brasileiro mais famoso da atualidade já não deve voltar a vestir a camisola do Paris Saint-Germain esta temporada – tendo em conta que até o Mundial da Rússia está em risco, já que a concentração brasileira começa a 21 de maio e Neymar só deve ter alta médica no final desse mês. A 30 de março, Unai Emery, treinador do PSG, garantiu que o brasileiro regressava “dentro de duas ou três semanas”. O prazo termina segunda-feira. E nada faz prever que isso vá acontecer.