A coligação que reúne os partidos da oposição em Timor-Leste acusou esta sexta-feira o ministro da Defesa e Segurança de usar indevidamente dinheiro do Estado para fazer campanha partidária, acusação rejeitada pelo primeiro-ministro.

Segundo a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), que reúne os três partidos da oposição maioritária em Timor-Leste, o ministro José Somotxo terá feito um pedido para usar viaturas do Estado alegadamente para “visitas de trabalho”, mas em vez disso tem participado ativamente em campanhas do partido do Governo, a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin).

Somotxo e o primeiro-ministro e secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, são os únicos membros do atual executivo que fazem parte da lista de candidatos a deputados que o partido apresentou às eleições legislativas antecipadas de 12 de maio. Instado a comentar as críticas, o primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, disse à Lusa que o seu ministro está a visitar o país em funções oficiais, para observar a campanha e não teve qualquer intervenção partidária.

“Ele é ministro de Defesa e Segurança. Não está a fazer campanha. Está a observar a campanha. Nunca foi ao palco para fazer discurso”, disse, questionado sobre a foto em que aparece com a camisola do partido.

“Ele é da Fretilin e ninguém pode negar isso. Os membros do Governo são de diferentes partidos ou independentes e em qualquer parte do mundo não se exige que um membro do Governo deixe de ter a cor que tem. Por ter essa cor é que é membro do Governo. Mas o que interessa é o que ele está a fazer”, insistiu.

A página oficial da AMP no Facebook divulgou dois documentos e uma fotografia que, considera, mostram que o ministro José Somotxo “usou indevidamente dinheiro do Estado para uma atividade partidária” servindo-se “da cortina de membro do Governo” para fazer campanha.

Em concreto, a AMP refere que na agenda oficial o ministro tem previsto a “observação da campanha”, mas aparece com uma camisola da Fretilin na tribuna de honra no comício que o partido organizou esta sexta-feira em Baucau, a segunda cidade timorense.

Um dos documentos é um despacho de “movimento de ordem pessoal” assinado por Somotxo enquanto ministro e enquanto “viajante” e que se refere a uma “visita de trabalho” aos 12 municipios mais a região administrativa especial de Oecusse-Ambeno entre 10 de abril e 10 de maio, período que coincide com a campanha eleitoral.

O segundo documento é uma “ordem de serviço” que nomeia um grupo de 11 elementos, incluindo o chefe do gabinete de armamento, um ajudante de campo, escoltas e motorista que irão acompanhar o ministro.

Este texto refere que os elementos devem acompanhar a agenda do ministro, que é de “observação da campanha dos partidos políticos (…) no território de Timor-Leste (…) desde o inicio da campanha dos partidos políticos até ao fim” da campanha.

Mari Alkatiri defende a ação dos membros do executivo durante a campanha, afirmando que este é “talvez o processo eleitoral mais controlado do mundo” e que há que respeitar sempre “o que está na lei e na constituição” do país. “O que não está fica ao critério de cada um”, afirmou.

Alkatiri explicou ter dado conta ao chefe de Estado da situação geral do país, afirmando que a campanha tem decorrido sem “incidentes ou problemas”. A campanha para as eleições de 12 de maio termina no próximo dia 9 de maio.