A China, principal aliado da Coreia do Norte, saudou este sábado o anúncio de Pyongyang de que irá suspender os ensaios nucleares e de mísseis intercontinentais, afirmando que isso contribuirá para a desnuclearização da península coreana. Japão e Rússia também já se manifestaram sobre a decisão de Kim Jong-Un.

“A China pensa que a decisão de suspender os ensaios nucleares e de se concentrar no desenvolvimento económico e na melhoria das condições de vida vai ajudar a apaziguar a situação na península coreana e fará avançar o processo de desnuclearização, assim como os esforços no sentido de uma solução política”, disse Lu Kang, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, em comunicado.

Do Japão, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, celebrou este sábado a decisão da Coreia do Norte de suspender os testes nucleares e expressou a esperança que esta sirva para o desarmamento “completo, verificável e irreversível” do país vizinho.

O chefe do Executivo japonês considerou a decisão como um “movimento positivo”, mas manifestou cautela, afirmando que “a única coisa importante (agora) é ver se esta ação levará a uma eliminação completa, verificável e irreversível das armas nucleares e mísseis” do país vizinho, de acordo com declarações divulgadas pela emissora pública NHK.

Abe adiantou também que o seu Governo “estará atento” ao assunto e deixou claro que o Japão e os Estados Unidos coordenaram a sua atuação perante os vários cenários possíveis com a Coreia do Norte, durante a cimeira que teve com o Presidente norte-americano, Donald Trump, esta semana na Florida.

A cautela do primeiro-ministro japonês foi partilhada por outros membros do seu gabinete, como o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Taro Aso, que de Washington, onde está a participar numa reunião ministerial do G20, disse que ainda é cedo para saber se a Coreia do Norte irá abandonar as armas.

Taro Aso disse que em outras ocasiões foram feitas concessões económicas e de outra índole para que Pyongyang abandonasse o seu programa nuclear, “mas os testes continuaram”, de acordo com a agência Kyodo.

Já o ministro da Defesa japonês, Itsunori Onodera, qualificou a decisão da Coreia do Norte “insuficiente” e afirmou que “este não é o momento para relaxar a pressão sobre o país”.

“Não podemos ficar satisfeitos”, afirmou Itsunori Onodera aos jornalistas, adiantando que Pyongyang não fez qualquer referência “ao abandono dos mísseis balísticos de curto e médio alcance”, pelo que Tóquio irá manter pressão sobre a Coreia do Norte.

Quanto à Rússia, o Ministro dos Negócios estrangeiros sublinhou num comunicado que o país sauda a “declaração [do líder norte-coreano Kim Jong-un] sobre a suspensão dos ensaios nucleares e de mísseis da República Democrática Popular da Coreia”.

A Rússia tem relações cordiais com a Coreia do Norte, com a qual partilha uma estreita fronteira terrestre. “Consideramos esta decisão como uma etapa importante para um futuro abrandamento das tensões na península coreana”, adianta o mesmo comunicado.

Moscovo apelou também aos Estados Unidos e à Coreia do Norte para “tomarem medidas recíprocas adequadas ao abrandamento da atividade militar na região”, e no sentido em que se consigam “acordos mutuamente aceitáveis” nas próximas cimeiras entre as duas Coreias e com os Estados Unidos.

A Coreia do Norte anunciou na sexta-feira à noite que suspendeu os testes nucleares e o lançamento de mísseis de longo alcance e que tem planos para encerrar as suas instalações de testes nucleares.

A agência de notícias oficial da Coreia do Norte adiantou que a suspensão dos testes nucleares tem efeito a partir de hoje (já sábado, 21 de abril), na Coreia do Norte.

A decisão já mereceu as reações do Presidente norte-americano, Donald Trump, que considerou tratar-se de uma “muito boa notícia”, e da presidência da Coreia do Sul, que a classificou como um “passo significativo” para a desnuclearização da península coreana.

A decisão norte-coreana surgiu uma semana antes da cimeira programada entre o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, que decorre a 27 de abril e será a primeira reunião entre líderes coreanos em 11 anos. Kim deverá ainda reunir-se, entre o final de maio e o princípio de junho, com o Presidente dos EUA.

*Artigo atualizado com as reações do Japão e da Rússia