O fim de semana foi de sentimentos mistos para Miguel Oliveira em Austin: na sexta-feira, o português dominou por completo as duas sessões de treinos livres, a rodar mais rápido do que Sam Lowes e Álex Márquez; no sábado, após a troca de pneus, a qualificação acabou por não correr da melhor forma, ficando apenas com o 12.º lugar na grelha de partida. “Foi um dia duro. A pista melhorou muito, há mais aderência mas tivemos dificuldades na adaptação dos novos pneus. A corrida será longa e quero lutar pelos primeiros lugares”, prometeu o piloto nacional.

Depois das duas primeiras corridas da temporada (Qatar e Argentina), que colocaram seis pilotos separados por menos de dez pontos na classificação geral, o GP dos Estados Unidos era aguardado com muita expetativa para se perceber quem ficaria por cima após dois triunfos italianos nas provas iniciais, de Francesco Bagnaia e Mattia Pasini. E se o espanhol Álex Márquez teve um início fortíssimo, Miguel Oliveira também começou logo na primeira volta a galgar posições, saltando para o nono lugar após o arranque e para o oitavo depois da queda de Sam Lowes.

Na terceira volta, depois de ter sido ultrapassado por Brad Binder, Miguel Oliveira passou para a frente de Luca Marini e recuperou a oitava posição, lançando o ataque a Fabio Quartararo no sétimo posto. Conseguiu mesmo superar o francês e, beneficiando de uma curva onde Binder foi obrigado a alargar a trajetória, alcançou o sexto lugar quando faltavam ainda 13 voltas para o final de uma corrida com muitas alternâncias de posições e que colocaria o português a um lugar do pódio quando superou Mattia Pasini, embora a dois segundos de Xavi Vierge.

Com a comparação dos tempos entre Miguel Oliveira e o espanhol, a ultrapassagem era uma questão de tempo e a mesma surgiria na 11.ª volta, com o português não só a passar Vierge (que sofreria uma queda) como a conseguir ganhar alguma folga para gerir a última posição no pódio, que só não dava margem para muito mais porque a distância para os dois primeiros, Álex Márquez e Francesco Bagnaia, era superior a cinco segundos. Os três lugares do pódio não sofreriam mais alterações apesar da fantástica aproximação ao espanhol nas derradeiras voltas que deixou o português a pouco mais de um segundo do espanhol, que entretanto descolara do transalpino.

De referir que, nas duas primeiras provas feitas em Moto 2 no circuito das Américas, o piloto português não tinha terminado a corrida em 2016 e ficara na sexta posição no ano passado. Em Moto 3, o melhor que alcançara no Grande Prémio dos Estados Unidos foi o quinto lugar com a Mahindra, em 2013.

Com o segundo pódio em três provas, Miguel Oliveira passa a ocupar o quarto lugar do Moto2 com 43 pontos, menos 14 do que o agora líder Francesco Bagnaia e a quatro da dupla Álex Márquez e Mattia Pasini. A próxima prova, o GP de Espanha, realiza-se em Jérez de la Frontera a 6 de maio, naquela que será a primeira prova em território europeu da presente temporada depois da passagem por Qatar, Argentina e Estados Unidos.