Volkswagen

VW I.D. R é mais leve e menos potente. Mas promete

A marca alemã revelou por fim o modelo com que vai correr em Pikes Peak a 24 de Junho. Se a estética já era conhecida, conhece-se agora a potência, o peso e a rapidez na aceleração. E a coisa promete.

Este é o “monstro” com que a Volkswagen vai disputar a subida a Pikes Peak, a prova de rampa mais difícil e mais conhecida do mundo, particularmente entre os americanos. Além de vencer entre os eléctricos, o fabricante alemão pretende chamar a si o recorde entre os veículos que não consomem combustíveis fósseis, o que pode não ser tão fácil quanto parece, pois os eléctricos têm estado nos últimos anos entre os mais rápidos, tendo mesmo vencido em 2016, com Rhys Millen num eO PP100.

Numa conferência difundida em live streaming, a Volkswagen revelou por fim o modelo com que se vai fazer representar e, nas suas próprias palavras, bater o melhor tempo. E quando a marca alemã afirma que vai fazer o que quer que seja em matéria de competição, o mais provável é que o consiga, conclusão óbvia depois do que aconteceu recentemente no Campeonato do Mundo de Ralis, com o Polo WRC, onde dominou como quis. E agora aposta em Pikes Peak com os mesmos argumentos: orçamento ilimitado e uma capacidade tecnológica dificilmente igualável.

O novo modelo, denominado I.D. R Pikes Peak, apareceu vestido a fibra de carbono, o que significa sem qualquer revestimento ou pintura a cobrir o chassi. É baixo e largo, como se fosse um protótipo destinado às 24 Horas de Le Mans, mas com apêndices aerodinâmicos de dimensões ainda mais generosas, do imenso splitter à frente, à impressionante asa posterior. Mas se a estética impressiona pela positiva, tudo o resto atinge a mesma finalidade, mas pela negativa.

Segundo os responsáveis da casa alemã, o I.D. R Pikes Peak recorre a dois motores eléctricos, e sem que a marca especifique, conclui-se facilmente que um estará montado à frente e o outro atrás, para usufruir de tracção às quatro rodas, facilitando a aplicação de toda a potência às saídas das curvas, especialmente as mais lentas e retorcidas. Ainda segundo o construtor, a potência conjunta atingirá 680 cv, um valor elevado, mas não para um modelo que pretende bater o recorde obtido por outro modelo eléctrico, construído com base num chassi tipo protótipo, como o Volkswagen, mas com 1.618 cv. Também na “força” a diferença é assustadora, com o protótipo alemão a reivindicar 650 Nm de binário, contra 2.160 Nm do eO PP100.

Certamente, a Volkswagen saberá mais do que nós e muito provavelmente já fez as suas contas – hoje em dia é possível desenhar um carro de competição e calcular, à partida e com pequena margem de erro, que tempo que vai conseguir em determinada pista ou traçado –, estando convencida que 680 cv são mais que suficientes. Para isso, o I.D. R Pikes Peak tem de conseguir vantagens noutras áreas, para compensar o que perde em potência absoluta. E a primeira ajuda vem do peso, pois ainda que a diferença não seja muito significativa, o protótipo alemão anuncia apenas 1.100 kg, ou seja menos 50 kg do que o eO PP100. Assim se chama o actual detentor do recorde que a Volkswagen promete bater, sendo fabricado na Letónia por uma pequena empresa que produziu o seu primeiro modelo em 2012 e que se apresentou em Pikes Peak em 2015 com o eO PP03 de 1.387 cv, com o qual realizou a subida em 9 minutos 07,222 segundos.

Esse tempo foi depois batido, no ano seguinte, pelo eO PP100 com mais 231 cv, que atingiu o topo em 8.57,118, onde ficou a apenas seis segundos do vencedor (um Norma M20 RD 4×4 com motor a gasolina), curiosamente pilotado pelo mesmo Romain Dumas que vai em Junho conduzir o Volkswagen. O Norma tinha apenas 610 cv, mas não puxava mais de 610 kg, ou seja, contava com 1 kg para animar cada cavalo, sensivelmente a mesma relação peso/potência do Peugeot 208 T16 (875 cv para 975 kg), com que Loeb colocou o recorde absoluto em 8.13,878, em 2013.

O construtor não divulgou ainda a capacidade da bateria, sendo mais que provável que não chegue aos 50 kWh do eO PP100, pois quanto maior é a capacidade, maior é o peso, com a Volkswagen a revelar também que está a contar com toda a energia que vai conseguir gerar durante as travagens para recarregar a bateria, com o que estima obter 20% da capacidade máxima.

Segundo a marca, o I.D. R Pikes Peak é capaz de ir de 0 a 100 km/h em somente 2,25 segundos. Ou seja, sensivelmente o mesmo de um Tesla Model S P100D, no modo Ludicrous, com 612 cv e quase duas toneladas, o que é bom, mas não é impressionante. O fabricante germânico anuncia que os 2.25 segundos o tornam mais rápido do que um F1 ou um Fórmula E. Sucede que, segundo os responsáveis da F1 e FE, os primeiros atingem os 100 km/h em cerca de 1,7 segundos e os segundos em 2,9. Já o Peugeot de Loeb, atinge a mesma fasquia em 1,8 segundos.

Os números não parecem favorecer o protótipo da Volkswagen, mas não há que menosprezar a marca alemã nestas coisas da competição, que aprendeu há muito a esconder o jogo antes do momento da verdade. E para que o I.D. R Pikes Peak seja muito mais prometedor, basta que tenha mais cavalos – o que é fácil sem fazer disparar muito o peso – ou substancialmente mais leve. Apenas menos 50 kg face a um concorrente que montava  seis motores eléctricos (em vez de dois), produzido há dois anos e por uma empresa que basicamente é uma startup com um orçamento minimalista, face à gigantesca Volkswagen, não nos deixa muito impressionados com os 1.100 kg anunciados. Mas ainda falta muito para 24 de Junho, o dia da grande subida, e as novidades não irão certamente faltar.

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