A defesa de José Sócrates acaba de emitir um comunicado em que desmente notícias publicadas durante o fim-de-semana pelo Correio da Manhã (CM) e pelo semanário Sol.

Assinado pelo advogado Pedro Delille e intitulado “Nada de factos, nada de provas, mas muita imaginação e muita intriga”, o advogado que representa o ex-primeiro-ministro começa por rejeitar a interpretação do CM sobre uma alegada escuta telefónica entre José Sócrates e Carlos Santos Silva em que o ex-líder do PS terá tentado pressionar o seu amigo a pagar os impostos relacionados com a famosa casa de Paris. Classificando a notícia como uma “extravagante interpretação policial de uma escuta telefónica na qual teria expresso preocupação sobre impostos em atraso relativos ao apartamento de Paris (que agora chamam de mansão)”, Delille diz que a interpretação publicada pelo jornal “é falsa e maldosa: a conversa nada tem a ver com isso, como os próprios muito bem sabem e é facilmente se demonstrável”, afirma sem adiantar mais pormenores.

Já no que diz respeito ao Sol, está em causa uma notícia sobre a inquirição de José Maria Ricciardi, ex-presidente executivo do Banco Espírito Santo Investimento e primo de Ricardo Salgado, na Operação Marquês. Repetindo pormenores que já tinham sido noticiados, o semanário recorda que Ricciardi testemunhou perante o procurador Rosário Teixeira que Salgado e José Sócrates encontravam-se muitas vezes. “Não é verdade, todas as visitas do dr. Ricardo Salgado ao então primeiro-ministro ficaram registadas na portaria de S. Bento, foram sempre no gabinete deste e sempre a pedido do primeiro. O eng. José Sócrates nunca fez parte do círculo social ou de amigos do dr. Ricardo Salgado. A ideia da alegada proximidade é, pois, também consabidamente falsa, enganosa e artificialmente construída”, lê-se no comunicado da defesa de Sócrates.

Afirmando que estas notícias representam uma alegada reação do “Ministério Público” à “conferencia da imprensa do eng. José Sócrates” que se verificou na última sexta-feira, Pedro Delille volta a escrever que “cinco anos depois do inicio formal do inquérito o Ministério Público continua a não ser capaz de apresentar nem factos, nem provas que minimamente sustentem as suas acusações. Cinco anos depois o mais que consegue é recorrer à manha de colocar nos jornais as habituais e perversas suposições. Tudo o que têm para apresentar é muita imaginação e muita intriga”, conclui.