O namorado de Yulia Skripal, a filha do ex-agente duplo russo envenenado à porta de casa, no Reino Unido, em março, está desaparecido. Desde que saiu do hospital, Yulia tem tentando retomar o contacto com Stepan Vikeev — um russo de 30 anos e com ligações aos serviços secretos de Moscovo –, mas até agora essas tentativas não tiveram qualquer sucesso.

No início de abril, e um mês depois de ser internada, Yulia deixou o hospital. A partir desse momento, e de acordo com o diário russo Moskovsky Komsomolets, tentou por todas as vias que tinha ao seu alcance entrar em contacto com o namorado. Mas o telemóvel está sempre desligado e as contas nas redes sociais foram apagadas. Stepan Vikeev está desaparecido pelo menos há três semanas e não deixou rasto.

Quem é o agente duplo Sergei Skripal e porque foi envenenado?

O caso de Skripal explodiu em março. Primeiro, surgiram informações de que um casal tinha sido assistido num banco de um centro comercial, em Wiltshire, com sinais de envenenamento. A seguir, percebeu-se que o homem envenenado era, afinal, Sergei Skripal, um ex-agente duplo russo que durante anos esteve ao serviço de Londres. Era, por isso, personna non grata em Moscovo.

Dois meses mais tarde, novos pormenores. O desaparecimento de Vikeev e, a somar ao mistério do seu paradeiro, o facto de o homem trabalhar no Instituto de Serviços de Segurança russos, organização com sede em Moscovo e que tem ligações aos serviços de espionagem do Kremlin. Outra personagem: a mãe de Vikeev, que em 2008 foi condecorada por Vladimir Putin pelos serviços prestados ao país.

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Vikeev não teria as melhores relações com a mãe, Tatiana. A dirigente dos serviços de segurança não veria com bons olhos o facto de o filho estar numa relação com a filha de um ex-agente duplo que em Moscovo era referido como um “traidor”. Sergei Skripal terá passado aos serviços secretos britânicos a identidade de outros espiões russos que operavam em território europeu e, de acordo com as autoridades russas, citadas pela BBC no início do caso, o ex-espião terá recebido cerca de 100 mil dólares pelas informações partilhadas ainda na década de 1990.

Yulia e Stepan viviam juntos desde 2013, na capital russa. O último contacto entre os elementos do casal terá acontecido a 26 de fevereiro, quanto estiveram juntos com um grupo de amigos para celebrar o aniversário de Stepan. Pouco depois, a filha de Skripal foi envenenada e o namorado desapareceu.

Caso Skripal já envolve cerca de 300 diplomatas

O envenenamento do ex-agente duplo originou um conflito diplomático e a uma operação de larga escala que culminou com a expulsão de 150 diplomatas russos de vários países — entre os quais os Estados Unidos e várias nações da União Europeia. Moscovo reagiu na mesma moeda.

Portugal, por outro lado, optou por não tomar qualquer decisão de afastamento dos representantes russos. O ministro dos Negócios Estrangeiros disse, ainda em março, que os responsáveis pela Diplomacia europeia prepararam na reunião conjunta “uma declaração” em que ficava expressa a “profunda solidariedade com o Reino Unido”. Nessa declaração, eram validadas as informações de Londres em que se dava como “altamente provável” que tivesse havido “responsabilidade russa nesse ataque” contra Skripal.

“Portugal, como a generalidade dos países da UE e a UE como tal, defende um relacionamento com a Federação Russa assente em duas vias fundamentais e complementares entre si: a firmeza na defesa dos nossos interesses e da nossa segurança enquanto europeus, de um lado, e, do outro lado, um diálogo político permanente, regular e tão construtivo quando possível com a Federação Russa, designadamente nas áreas onde há interesses convergentes, designadamente na defesa de ambas contra o terrorismo”, acrescentou o ministro.