Depois do hino nacional ter tocado, a sessão solene comemorativa do 25 de abril no Parlamento arrancou com o discurso do deputado do PAN, André Silva, pouco passava das dez da manhã e, ao contrário do que é costume nesta sessão concreta, havia muitas clareiras no hemiciclo, sobretudo na bancada do PSD. O Observador contou cerca de 50 deputados sociais-democratas (56 confirmados mais tarde nas imagens da ARTv), dos 89 eleitos. As turbulências no partido, depois da eleição de Rui Rio, tinham aqui uma expressão? Nada disso. “Houve deputados que ficaram a tomar um café, outros demoraram a estacionar o carro”, garante um dos deputados do PSD.

Imagem retirada da ARTv. Nesta altura discursava a deputada do BE, Isabel Pires, pelas 10h30

Depois deste despovoamento da bancada (mais do que é normal nesta sessão) ter sido noticiado logo no decorrer dos trabalhos, a bancada do PSD foi-se compondo e no final, quando discursou o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, já eram perto de 70 os sociais-democratas presentes.

Aliás, nessa altura, os deputados do PSD já ultrapassavam mesmo — como o Observador deu conta no liveblog em que acompanhou a sessão — os deputados do PS presentes na sala, que eram pouco mais de 60 (um número que se manteve mais ou menos inalterado), dos 86 eleitos em 2015. Nas restantes bancadas, as cadeiras vazias não eram tantas, proporcionalmente ao tamanho das bancadas parlamentares.

Uma das ausências mais notada entre os sociais-democratas foi a do ex-líder da bancada. Hugo Soares é um deputado assumidamente desalinhado com a direção de Rui Rio e próximo de Luís Montenegro — tido como oposição interna. Aliás, quando Rio assumiu a liderança do partido, Hugo Soares até se disponibilizou para se manter à frente da bancada parlamentar, mas o recém-eleito líder entendeu substituí-lo. Esta manhã, o deputado não compareceu na sessão comemorativa do 25 de abril na Assembleia da República por estar doente, segundo o próprio justificou ao Observador.

Várias fontes da bancada do PSD explicaram que a falta de deputados mais evidente no início da sessão solene se deveu essencialmente a três fatores: trânsito (as estradas de acesso mais direto ao Parlamento estavam congestionadas, mas sobretudo em cima da hora da cerimónia), atrasos normais na entrada no plenário (cafés de última hora) e também trabalho político que coincidiu com a sessão solene. Um dos deputados justificou que alguns dos atrasos se deveram à necessidade de deputados terem de comparecer a outras cerimónias do mesmo género fora da Assembleia da República. Quanto a ausências,  a mesma fonte disse que alguns parlamentares tiveram de marcar presença em sessões comemorativas do 25 de abril em assembleias municipais de que fazem parte.