Música

Orquestra de Câmara Portuguesa abre os Dias da Música em Belém com “A Criação”

Este ano "não [nos] vamos sacrificar à tirania do tempo", disse o programador dos Dias da Música em Belém, André Cunha Leal, quando da apresentação do cartaz, em março.

TIAGO PETINGA/LUSA

Os Dias da Música em Belém abrem na quinta-feira, com “A Criação”, de Joseph Haydn, pela Orquestra de Câmara Portuguesa, num cartaz a cumprir até domingo, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.

O maestro Ton Koopman e a Orquestra Gulbenkian, o Ensemble La Reverdie e o Orlando Consort, além de portugueses como os pianistas Artur Pizarro e António Rosado, o violoncelista Bruno Borralhinho e os Músicos do Tejo estão entre os protagonistas destes dias, a par de obras de grande dimensão, como “A Danação de Fausto”, de Berlioz, e “O Paraíso e a Peri”, de Schumann.

Este ano “não [nos] vamos sacrificar à tirania do tempo”, disse o programador dos Dias da Música em Belém, André Cunha Leal, quando da apresentação do cartaz, em março. A opção, este ano, por “obras de grande dimensão”, conjugando solistas, coros e orquestras, aproxima os Dias da Música “aos grandes festivais internacionais”, afirmou.

A programação tem por título “Castigos, Culpas e Graças Divinas” e está estruturada em função de três grandes áreas temáticas — Inferno, Purgatório e Paraíso -, com base no tríptico do século XVI “As Tentações de St.º Antão”, de Hieronymus Bosch, um dos tesouros do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

A “narrativa interna” desta edição impôs assim a oratória de Joseph Haydn para a abertura, na quinta-feira, a partir do tema da portada do quadro de Bosch, a “Criação do Mundo”.

A obra será dirigida por Pedro Carneiro, com a Orquestra de Câmara Portuguesa, o coro Voces Caelestes e os solistas Wolfgang Holzmair, Ana Quintans, Carla Caramujo, Thomas Michael Allen e Peter Kellner. Pedro Carneiro admitiu a possibilidade de ser este o derradeiro concerto do seu projeto, dependente que está de financiamentos da Direção-Geral das Artes.

Sob o signo de Bosch, impôs-se igualmente, na programação, a trilogia das barcas de Gil Vicente – “Auto da Barca do Inferno”, “Auto da Barca do Purgatório” e o “Auto da Barca da Glória” – com a representação de cada um dos autos nos dias seguintes do festival (sexta, sábado e domingo), num projeto concebido pela atriz Sara Barros Leitão, com música de Fernando Lapa.

O segundo dia, dedicado ao “inferno e aos castigos”, conta com o “Auto da Barca do Inferno”, e com a ópera “A Danação de Fausto”, de Berlioz, pelo Coro do Teatro Nacional de S. Carlos, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o maestro Frédéric Chaslin, aos quais se juntam os Pequenos Cantores do Conservatório de Lisboa, o Coro Juvenil de Lisboa e os solistas Aquiles Machado, Philippe Rouillon, Béatrice Uria-Monzon e Arnaud Rouillon.

O terceiro dia – sábado, 28 de abril -, dedicado aos “pecados e tentações terrenas”, conta com “Os Sete Pecados Mortais”, de Kurt Weill, pela Orquestra Clássica do Sul, dirigida por Rui Pinheiro, e com a ópera cómica “Gianni Schicchi”, de Puccini, num projeto sob a direção de Bruno Borralhinho, que junta as orquestras de câmara alemã e portuguesa.

A oratória “Caim ou o primeiro homicídio”, de Alessandro Scarlatti, pelo Ludovice Ensemble, dirigido por Fernando Miguel Jalôto é outra “grande obra” a ouvir no sábado, que também conta com “La Casa Del Diavolo”, pelo agrupamento La Paix du Parnasse, de António Carrilho, Música Flamenga no tempo de Bosch, pelo Orlando Concert, Madrigais Eróticos, pelo Grupo Vocal Olisipo, e “Veneza e os limites da moralidade”, num programa dos séculos XVI/XVII, pelos Músicos do Tejo de Marcos Magalhães.

Na tarde de sábado, o pianista Artur Pizarro interpreta a transcrição de Franz Liszt para piano da “Sinfonia Fantástica” de Berlioz.

No último dos Dias da Música, domingo, é tempo de reconciliação. Abre com a Orquestra Gulbenkian, dirigida por Ton Koopman, na interpretação de “Les Élemens: Le Chaos”, de Jean-Féry Rebel, a que junta a Sinfonia nº. 49, de Haydn, e a suite de “Les Indes Galantes”, de Rameau.

Do programa de domingo consta ainda a Sinfonia “Dante”, de Liszt, pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Coro Lisboa Cantat e o maestro Pedro Amaral, Cantatas de Bach, pelo grupo Avres Serva, sob a direção de Nuno Oliveira, e a interpretação de “Das Paradies und die Pie” (“O Paraíso e a Perie”), de Schumann, pelo Coro Gulbenkian e a Orquestra XXI, sob direção de Dinis Sousa.

António Rosado, num programa dedicado a Liszt, o Requiem, de Fauré, pelo Coro Ricercare e o Melleo Harmonia, “Lágrimas de São Pedro”, de Orlando di Lasso, pelo Vocal Ensemble, e a música dos séculos XIII/XIV, para os “Sete Pecados Mortais e as Quatro Últimas Etapas”, pelo Ensemble La Reverdie, são outras propostas para o último dos Dias da Música em Belém, neste ano de 2018.

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