A ameaça que paira sobre os veículos com motorizações a gasóleo vai fazer mais umas centenas de vítimas e todas elas empregadas na fábrica que a Nissan possui em Sunderland. A decisão política – e não técnica ou científica – de banir os motores diesel a prazo, antecipando que, em breve, vão ser impedidos de circular nas principais cidades, está a levar muitos compradores a não optar por este tipo de combustível, ou a atrasar indefinidamente a compra, resultando numa quebra de vendas a que os construtores se têm de adaptar. Com cortes.

Sunderland é a principal fábrica da Nissan em solo europeu, emprega 7.000 funcionários e produz cerca de um milhão de veículos por ano, entre Qashqai, Juke, X-Trail e Leaf. O problema é que 25% do volume de produção monta motores diesel, cujas vendas têm vindo a cair bastante nos últimos meses e, só em Março, registaram perdas de 37,2%. Se analisarmos o caso do Qashqai, de longe o modelo mais importante para Sunderland (e para a Nissan), o SUV é hoje oferecido num mix de motorizações a gasolina e a diesel, mas as primeiras só estão disponíveis para as versões mais acessíveis, menos potentes e com apenas tracção à frente. Com a quebra na procura de motores a gasóleo, a Nissan pode tentar produzir mais unidades a gasolina, mas o processo é lento e depende de fornecedores, mas sobretudo vai necessitar de unidades motrizes com maior capacidade e potência do que o actual 1.2 sobrealimentado.

A fábrica da Nissan no Reino Unido, nos arredores de Sunderland

Em declarações ao Financial Times, um porta-voz da Nissan afirmou que o construtor está “a tratar da transição para uma nova gama de motorizações a partir do próximo ano”. “Até lá, temos de adaptar o mix da produção e reduzir o volume de produção no curto prazo, na fabricação de motores e em Sunderland”, concluiu. O responsável da Nissan admitiu ainda estar a negociar com os empregados a redução do número de funcionários, que pode atingir as várias centenas, num processo similar ao anunciado recentemente pela Jaguar-Land Rover, que despediu cerca de 1.000 empregados da sua fábrica de Solihull, igualmente no Reino Unido.