O IndieLisboa faz 15 anos e apresenta, entre hoje, dia 26, e dia 6 de Maio, 245 filmes representativos da produção cinematográfica independente mundial, distribuídos pelas suas várias secções, que poderão ser vistos no Cinema São Jorge, Culturgest, Cinema Ideal, Cinemateca e na Biblioteca Palácio Galveias. Vão ser projectados 49 filmes portugueses, curtas e longas-metragens, dois deles a abrir e a fechar o festival: “A Árvore”, de André Gil Mata, e “Raiva”, de Sérgio Tréfaut, respectivamente. E ainda os dois episódios iniciais da série “Sara”, de Marco Martins. Os Heróis Independentes de 2018 são a argentina Lucrecia Martel e o francês Jacques Rozier. Haverá ainda cine-concertos, debates, “masterclasses” e actividades criativas para os mais pequenos na secção IndieJúnior. Assinalando os 15 anos do festival, seleccionámos outros tantos títulos da programação: 14 longas-metragens e uma série de televisão portuguesa.

“An Elephant Sitting Still”

de HuBao

Este é o primeiro e único filme do jovem escritor e realizador chinês Hu Bao, que se suicidou em Outubro, com apenas 29 anos. Premiada no Festival de Berlim e passada numa grande cidade do norte da China, a fita segue, ao longo de quatro horas, um punhado de personagens que moram no mesmo prédio e estão a passar por situações problemáticas nas suas vidas. (1 de Maio, Culturgest, 15h00)

“Person to Person”

de Justin Guy Defa

Michael Cera e Philip Baker Hall são dois dos intérpretes desta fita, que o actor e realizador Justin Guy Defa rodou a partir da curta do mesmo nome que havia feito em 2014.  Nova Iorque é o cenário desta história colectiva, registando um dia na vida de uma série de pessoas, que incluem um coleccionador de vinis, uma “blogger” de moda ou um relojoeiro. (27 de Abril, Culturgest, 19h00 / 30 de Abril, Cinema Ideal, 20h30)

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“Mariphasa”

de Sandro Aguilar

O português Sandro Aguilar é um velho conhecido do Indie, onde já mostrou quer curtas-metragens, quer a sua primeira longa, “A Zona” (2009). Aguilar regressa este ano ao festival com a segunda longa-metragem, “Mariphasa”, na qual volta a privilegiar um clima sugestivamente perto do fantástico e da ficção científica. Com António Júlio Duarte, Isabel Abreu e Albano Jerónimo. (30 de Abril, Culturgest, 21h30 / 5 de Maio, São Jorge 3, 16h15)

“Victory Day”

de Sergei Loznitsa

Este documentário do realizador russo de “A Minha Alegria” e “Na Praça” regista as celebrações públicas do dia da tomada de Berlim pelas tropas soviéticas, a 9 de Maio de 1945. Não na Rússia, mas num parque da própria cidade alemã, levadas a cabo por emigrantes russos que vivem na Alemanha, muitos dos quais chegam a vestir uniformes soviéticos. (27 de Abril, Cinema Ideal, 18h30 / 6 de Maio, Cinema Ideal, 22h00)

“O Processo”

de Maria Augusta Ramos

No dia 31 de Agosto de 2016, o Senado do Brasil aprovou em definitivo a destituição de Dilma Rousseff do cargo de presidente do país. A realizadora Maria Augusta Ramos esteve nos bastidores dos acontecimentos e  acompanhou durante vários meses a equipa de defesa de Dilma, até à votação final, neste documentário que não esconde o seu alinhamento com o PT. (1 de Maio, São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 18h30 / 6 de Maio, São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 19h00)

“Zama”

de Lucrecia Martel

A argentina Lucrecia Martel é a Heroína Independente do Indie 2018, que além de todas as suas curtas e longas-metragens, apresenta também a sua mais recente realização. Fugindo à Salta natal de Martel, onde ela costuma localizar os seus filmes, “Zama” ambienta-se no Paraguai do século XVII e adapta um romance do argentino Antonio Di Benedetto. Portugal é um dos países co-produtores, com Rui Poças encarregue da direcção de fotografia. (28 de Abril, Culturgest, 21h30)

“Les Naufragés de L’Île de la Tortue”

de Jacques Rozier

O francês Jacques Rozier, um dos nomes mais discretos da Nova Vaga, é o outro Herói Independente deste ano.  Este filme de 1976 tem Pierre Richard e Jacques Villeret no papel de dois funcionários de uma agência de viagens de Paris que propõem aos clientes a experiência de Robinson Crusoé numa ilha das Antilhas. Não chegou a estrear em França. (30 de Abril, Cinemateca, 21h30)

“Ryuichi Sakamoto: Coda”

de Stephen Nomura Schible

Eis um retrato íntimo e do processo criativo do imenso compositor e músico japonês, que depois do desastre de Fukushima se tornou num activista contra a energia nuclear. Após ter sido diagnosticado com cancro, Sakamoto regressou ao trabalho com um álbum que, segundo ele mesmo tem consciência, poderá ser o seu último, mas diz que o que mais deseja é continuar a fazer música. (28 de Abril, São Jorge 3, 21h30 / 6 de Maio, Culturgest, 19h45)

“Studio 54”

de Matt Tyrnauer

Vinte anos depois do filme de ficção de Mark Christopher sobre a lendária discoteca de Nova Iorque que abriu em 1977 e fechou quase três anos depois, por fuga ao fisco dos seus proprietários, Steve Rubell e Ian Schrager, eis agora este documentário de Matt Tyrnauer. O realizador recorda  o espaço que revolucionou a noite novaiorquina, os seus dois fundadores e as muitas celebridades que passaram pelo Studio 54. (28 de Abril, São Jorge 3, 21h30 / 26 de Maio, São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 21h45)

“Have You Seen My Movie?”

de Paul Anton Smith

O canadiano Paul Anton Smith foi assistente de montagem do filme-instalação “The Clock”, que passou por Lisboa. Em “Have You Seen My Movie?”, Anton Smith pegou em cenas de mais de 100 filmes de vários géneros onde as personagens vão ao cinema, e montou-as, para reconstruir a experiência de estar numa sala escura em múltiplas situações. Um filme sobre ver filmes. (27 de Abril, Cinemateca, 18h30)

“Hitler’s Hollywood”

de Rudiger Suchsland

Depois de “Fron Caligari to Hitler” (2014), Rudiger Suchsland prossegue aqui a sua viagem pelo cinema alemão do século XX, dedicando-se agora aos anos entre 1933 e 1945, quando Hitler e os nacionais-socialistas estiveram no poder. Este documentário é uma pormenorizada viagem pela indústria cinematográfica alemã durante o III Reich, sem esquecer as “estrelas” desse tempo, como Zarah Leander ou Marika Rokk. (5 de Maio, Cinemateca, 15h30)

“O Termómetro de Galileu”

de Teresa Villaverde

Depois de “Colo”, estreado recentemente, a realizadora portuguesa Teresa Villaverde rodou, em Itália, praticamente sem equipa técnica e em digital, este documentário sobre o seu colega e amigo italiano Tonino De Bernardi. É uma homenagem á arte de viver e á vida dedicada á arte, personificada pelo autor de filmes como “Elettra”, “Apaixonadas” ou “Médée Miracle”. (28 de Abril, Cinemateca, 19h00)

“Mutafukaz”

de Shôjirô Nishimi e Guillaume Renard

O realizador de animação japonês Shôjiro Nishimi e o autor de banda desenhada francês Guillaume Renard  juntaram-se para fazer esta longa-metragem animada que se inspira em “Eles Vivem”, de John Carpenter. Angelino, o protagonista, sofre um acidente de moto e começa a ver criaturas monstruosas por toda a parte da cidade em que vive. (26 de Abril, Cinema Ideal, 22h30 / 28 de Abril, Cinema Ideal, 22h30)

“La Nuit a Dévoré le Monde”

de Dominique Rocher

Um filme de “zombies” francês. Depois de uma noite de festa brava num apartamento de Paris, Sam (Anders Danielsen Lie, de “Oslo, 31 de Agosto”) acorda e descobre uma cidade devastada e cheia de mortos-vivos. Será ele o único sobrevivente desta catástrofe que não foi transformado em “zombie”? Filme de estreia de Dominique Rocher, baseado no livro de Pit Agarmen. (27 de Abril, Cinema Ideal, 22h30 / 28 de Abril, Cinema Ideal, 22h30)

“Sara”

de Marco Martins

O IndieLisboa antestreia este ano os dois primeiros episódios da série portuguesa “Sara”, uma sátira passada no nosso meio audiovisual, realizada por Marco Martins para a RTP e escrita por este, Bruno Nogueira e Ricardo Adolfo. Beatriz Batarda personifica Sara Moreno, uma actriz famosa pelos seus papéis dramáticos no teatro e no cinema, que, durante a rodagem de um filme, descobre que já não consegue chorar. Decide então mudar radicalmente de registo – e não só — e fazer uma telenovela. (3 de Maio, Culturgest, 21h30)