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Saúde

OMS alerta para as coberturas de vacinação na Europa

Organização Mundial de Saúde alerta para a necessidade do aumento das coberturas de vacinação em países europeus e considera que a imunização é um direito individual e uma responsabilidade partilhada.

Getty Images

O slogan da Organização Mundial de Saúde não deixa margem para dúvidas até porque o objetivo é  colmatar a diminuição das coberturas vacinais que se têm verificado em alguns países europeus, nos últimos anos. Daí que para 2018 as grandes bandeiras sejam “Prevenir. Proteger. Imunizar.”, ações que pretendem lembrar a todos os países europeus a importância da vacinação e aumentar as respectivas coberturas vacinais.

Mas a lista de objetivos é bastante mais alargada. Inclui a consciencialização das famílias, em geral, assim como dos profissionais de saúde, dos políticos, dos decisores e da comunicação social. Entre os dias 23 e 29 de abril, tem lugar a semana Europeia da Imunização, cuja missão passa por sensibilizar as populações sobre o papel relevante que as vacinas têm na prevenção de doenças infeciosas, levando a uma melhoria da Saúde Pública e consequente desenvolvimento mais sustentável. Foi a busca por essa sustentabilidade que levou os Ministros da Saúde de 194 países a assinarem, em maio de 2012, o Plano Global de Ação em Vacinação (Global Vaccine Action Plan (GVAP)).

Em Portugal, o caso da gripe é apenas um exemplo da importância da consciencialização da população para a importância da vacinação, como explica Filipe Froes, pneumologista no Hospital Pulido Valente e consultor da Direção-Geral da Saúde (DGS): “Esta é uma das épocas de atividade gripal mais baixa desde, provavelmente, o início desta década, e estamos há várias semanas em atividade descendente”. Apesar de este ano se observar uma atividade moderada do vírus da gripe, os especialistas avisam que não se devem descurar as medidas de prevenção, como a vacinação.

Ainda sobre o caso da gripe, Filipe Froes é peremptório: “Tendemos a desvalorizar o vírus da gripe, nomeadamente o tipo B que, até agora, pensávamos que atingia maioritariamente os grupos pediátricos; mas o que vimos este ano é que este vírus influenza B é igualmente responsável por doença significativa nos adultos e que nesta época, foi responsável por mais de metade dos doentes admitidos nos cuidados intensivos, cuja média de idades era superior a 65 anos”.

Segundo os dados do Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe, semana 13 de 2018, o vírus da gripe do tipo B da linhagem Yamagata foi o predominante, na presente época. A vacina trivalente disponibilizada continha na sua composição  os vírus do tipo A (H1N1 e H3N2) e do tipo B da linhagem Victoria. Para Filipe Froes, esta discordância vem “Realçar a importância do aumento da cobertura dos vírus da gripe do tipo B que é proporcionado pelas vacinas quadrivalentes”, que protegem contra os dois vírus influenza B (Yamagata e Victoria).

No que respeita à vacinação em geral, “Os números, devidamente colhidos e analisados, são a prova do algodão: não enganam!”, afirma Filipe Froes. Mesmo com a diminuição das coberturas vacinais  referidas anteriormente, nos últimos 30 anos, a implementação generalizada de programas de vacinação levou a uma redução muito significativa da mortalidade, assim como das complicações e sequelas de doenças que, até então, eram muito frequentes. Sinal disso, a Região Europeia da OMS foi certificada como livre de poliomielite em 2002 e os casos de sarampo na região foram reduzidos em mais de 90% entre 1993 e 2007.

A importância dos profissionais de Saúde

Os profissionais de saúde têm um papel educativo fundamental que é o de reforçar junto das populações a importância da segurança e o benefício das vacinas na promoção da saúde das crianças, em particular e da população, em geral.

Outros números confirmam o sucesso do trabalho que tem sido posto em prática: a imunização das crianças está em níveis muito elevados e cada vez mais alinhada com o Plano Europeu de Vacinação. No entanto, há ainda muito a fazer ao nível da divulgação dos benefícios da vacinação que não se propagou de igual forma em toda a região europeia, o que tem levado a desigualdades que estão a preocupar as autoridades. Em 2016, uma em cada 15 crianças não recebeu a primeira vacina contra o sarampo e uma em cada 21 não recebeu todas as doses recomendadas contra a difteria, o tétano e a papeira. A consequência mais imediata foi o reaparecimento de surtos destas doenças.

Os alertas são muitos, mas as autoridades afirmam que o mais importante a reter é que as vacinas são essenciais para a prevenção de doenças e o bem-estar das populações, sendo os seus benefícios muito abrangentes, impedindo, por exemplo, a transmissão e o contágio das doenças.

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