Tudo podia correr mal, mesmo mal. Vrsaljko, do Atlético, logo ao minuto dois, viu cartão amarelo-a-fugir-para-o-laranja depois de uma entrada dura, fora de tempo e fora de tudo. Fora de tudo não; na canela ele acerta e bem. Repetiu a entrada, agora uma senhora pisadela que dói só de ver, e acabou expulso ao décimo minuto pelo senhor Turpin, o árbitro. O treinador do Atlético, Simeone, acabaria também expulso por protestos pouco depois.

O Arsenal já encostava os madrilenos à defesa. A bola não conhecia sequer o couro à bota de ninguém do Atlético.

Logo ao minuto seis, Welbeck cruza da esquerda e Lacazette remata de primeira na grande área, em vólei. Passa perto do poste. No minuto seguinte, outra vez pela esquerda, cruzaria agora Nacho e Lacazette desviou de cabeça. A defesa (que defesa!) de Oblak, todo no ar, esticado até ao último tendão que o seu esguio corpo esloveno tem, é im-pre-ssi-o-nan-te.

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Tudo podia correr mal, mesmo mal. Mas a verdade é que Oblak contrariaria (os centrais do Atlético, Diego Godín e Giménez, faziam também uma exibição a roçar a perfeição do ponto de vista do futebol aéreo) a Lei de Murphy desse por onde desse. Ao minuto 21, deu. Wilshere tabela com Lacazette, isola o portentoso avançado dos londrinos, e só com Jan Oblak pela frente este remata. O guarda-redes do Atlético (provavelmente o melhor do mundo nesta altura da época) defendeu.

Ao minuto 61 não deu. A segunda parte vinha na mesma toada da primeira: mais Arsenal no estádio Emirates e o Atlético a resistir. E resistiu. Mas Savic tenta sair a jogar, é engolido à saída da grande área pela pressão do Arsenal, Wilshere e Nacho recuperam a bola, o espanhol desmarca Wilshere, que cruza desde a linha de fundo. Ao segundo poste, saltando mais alto que Giménez, Lacazette não perdoou.

Tudo o que podia correr mal… correu assim-assim.

Ao minuto 82, Griezmann empata. Saiu uma bola longa desde a defesa do Atlético, Griezmann apanha-a nas costas da defesa do Arsenal, conta com a “ajuda” de Koscielny, que escorrega, e acerta em Ospina na hora de rematar. À segunda, na recarga, só lá dentro é que acerta. Tudo empatado. E tudo assim continuaria por causa da Lei de Oblak. Ao minuto 87, Lacazette cruza à direita e Ramsey desvia de cabeça no primeiro poste. Oblak  chegou, com uma palmada, onde quase nenhum guarda-redes chegaria.

No outro jogo da noite, o Marselha, em casa, no Vélodrome, derrotou o Red Bull Salzburg por 2-0, com golos de Thauvin (15′) e Clinton N´Jié (63′). A 2.ª mão disputa-se na Áustria, a 16 de maio. Recorde-se que na eliminatória anterior o Salzburg, depois de perder (4-2) com a Lazio em Roma, virou a contenda do avesso e eliminou os italianos com uma vitória (4-1) na Red Bull Arena.