O ministro dos Negócios Estrangeiros português afirmou esta sexta-feira que “o gelo está quebrado” com a aproximação entre as duas Coreias, mas alertou que os gestos protagonizados pelos dois líderes são apenas o primeiro passo no sentido da paz na península. “O gelo está quebrado. Nestes processos o primeiro passo é o mais difícil e esse primeiro passo está dado. Portanto, estou otimista”, assumiu Augusto Santos Silva.

O chefe da diplomacia portuguesa, que falava à margem da reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, a decorrer esta sexta-feira em Bruxelas, sublinhou que “os gestos são muito importantes em política externa e nas relações diplomáticas, mas ainda são gestos”. “Há aqui um ato refundador, que é a possibilidade de ter havido uma reunião face a face dos líderes das duas Coreias, mas agora é preciso avançar no sentido de termos resultados concretos, no sentido da paz e da estabilidade na região”, completou.

Santos Silva disse que há vários resultados concretos que podem ser alcançados com esta aproximação e o primeiro será o fim formal da guerra da Coreia. “Mas mais importante é que haja um espaço para que as conversações necessárias entre a Coreia do Norte e outros países muito importantes, como os Estados Unidos, possam fazer-se em condições produtivas e a breve trecho e que possamos avançar todos no sentido da desnuclearização da península da Coreia”, indicou.

[Veja no vídeo os detalhes, pensados ao pormenor, no encontro das duas Coreias]

O ministro dos Negócios Estrangeiros português defendeu ainda que é “muito importante” que a comunidade internacional, designadamente através das Nações Unidas, possa acompanhar este processo. As duas Coreias vão procurar este ano acabar com a guerra de modo permanente, segundo um comunicado conjunto divulgado esta sexta-feira no final de uma cimeira histórica, 65 anos após o conflito ter terminado com um armistício.

Os dois vizinhos procurarão com os Estados Unidos e talvez também com a China — ambos signatários do cessar-fogo, na ausência de um tratado de paz — “declarar o fim da guerra e estabelecer um regime de paz permanente e sólido”, refere o texto. Os líderes das duas Coreias, Kim Jong-un e Moon Jae-in, acordaram ainda tomar medidas para a “completa desnuclearização” da península coreana.

“O Sul e o Norte confirmaram a sua meta comum de conseguir uma península livre de armas nucleares através da completa desnuclearização”, refere a declaração conjunta, assinada por ambos os líderes no final da cimeira.