Urina de vaca, pó de múmia ou tinta tóxica. Foi assim que foram pintados alguns quadros. Quando era preciso “aquele” tom específico de uma determinada cor, muitas vezes os artistas não olhavam a meios para o conseguir. As históricas dos quadros são contadas pelo El País, com base no livro An Atlas of Rare & Familiar Colour. O quadro da “Rapariga com brinco de pérola”, do holandês Johannes Vermeer foi pintado no século XVII e a cor do vestido tem uma história que envolve vacas.

Durante esse século, os pintores holandeses começaram a usar uma cor chamada amarelo indio, trazido da Índia pela Companhia Holandesa das Índias Orientais. Em Monghyr as vacas só se alimentavam de folhas de manga e água. Quando as vacas urinavam, os agricultores secavam a urina ao sol e criavam a cor tão desejada pelos europeus. O maior problema era que o tipo de alimentação provocava má nutrição e intoxicações graves às vacas, levou à proibição da técnica em 1908.

Em 1830, Eugène Delacroix pintou a “Liberdade Guiando o Povo”. Neste quadro, o fumo do fundo e as roupas das pessoas em primeiro plano foram pintados com castanho múmia. Esta cor era criada usando o pó dos ossos triturados e o betume que embalsamava os corpos. Os pintores apreciavam esta cor porque permitia fazer brilhos, sombreados e replicar o tom da carne humana.

O quadro “A Consagração”, de Jaques-Louis David, foi pintado em 1807 e representava o imperador francês Napoleão Bonaparte. Em 1800, foi criado em Viena o verde de Schweinfurt, que tinha grande resistência à luz e permitia obter tonalidades intensas e raras. Jaques-Louis David usou-o para pintar a alcatifa que Napoleão pisa e alguns pormenores do fundo. O grande senão é que a tinta era tóxica: tinha arsénico na sua composição.