Ao contrário do intelectual, típico João Pedro George não mergulhou em apneia nas profusas páginas da literatura portuguesa contemporânea. Ele fez algo ainda mais espetacular: leu apenas as badanas e as contracapas. Um gesto sem precedentes, só comparável ao dos nossos heróis dos oceanos, que inaugura agora toda uma nova área do saber que promete levar mais longe os estudos literários, desbravando todo o complexo discurso e intrincada linguagem impressa sobre as imagens em cores saturadas do papel cartonado que envolve os livros.

Depois de percorrer quilómetros em bibliotecas, livrarias, hipermercados e estações de serviço apenas para ter o prazer de desdobrar as abas interiores das capas e contracapas, o autor descobre todo um universo de criaturas fascinantes, dotadas de qualidades do outro mundo, existências aventurosas que fariam de Ulisses um pateta e obras que deixariam Homero verde de inveja.

Nessa república verdejante de génios, pessoas exemplares, histórias do outro mundo e adjetivos rutilantes, João Pedro George partilha com o mundo no seu novo livro, Mamas & Badanas, editado pela Guerra & Paz.

Aqui ficamos a saber que não foi só em Fátima que se deu o milagre. Também José Luís Peixoto (O Teu Ventre) é “atravessado por inúmeros instantes de assombro e milagre”, que o seu Abraço é “um livro de milagre e lucidez” e que em Valter Hugo Mãe (O Nosso Reino), “entre a profunda ternura e a difícil aprendizagem da vida, cada dia é um esforço para que se prove a existência do milagre de se ser alguém”.

“Mamas e Badanas”, de João Pedro George (Guerra & Paz)

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Palavra de João Pedro George: Tiago Rebelo (O Homem que sonhava ser Hitler) “descreve com mestria e intensidade a história de uma homem apaixonado”, Moita Flores (O Mensageiro do Rei) “é um mestre na arte dos diálogos”, Joel Neto (Arquipélago) usa “a mestria narrativa e o apuro literário dos clássicos”, Mário Cláudio (Retrato de um Rapaz) “compôs, com a arte e a mestria a que nos habituou, um retrato belíssimo…”, Francisco José Viegas (A poeira que cai…) escreve “com mão de mestre”, já “a mestria e a fina ironia caracterizam a escrita de Nuno Júdice” (A Conspiração Cellamare), já António Lobo Antunes atinge outra galáxia em Eu Hei-de amar uma pedra: “Um autor com uma facilidade prodigiosa para enlaçar obras-primas, que dentro de cinco mil anos, em argila ou em pó de estrelas, continuarão a ser lidas com paixão”.

João Pedro George também descobre nas badanas que, para além da mestria e do milagre, há escritores portugueses que talvez já tenham mesmo ultrapassado a espécie humana: Simone de Oliveira, por exemplo, “é uma mulher com o dobro do sangue dos outros” (Simone, Força de Viver, Patrícia Reis), que Dulce Maria Cardoso “nasceu na mesma cama onde haviam nascido a mãe e a avó”, que “Pedro Chagas Freitas é um verdadeiro animal: nasceu, cresceu e há-de morrer…” (Gotas de Dor) e que Filipa Leal (Pelos leitores de poesia) “acredita que o mundo se divide entre os que preferem Londres ou Paris” e que a poeta se afirma “no desenho límpido de uma geopoética de uma claridade absoluta” (A cidade líquida e outras texturas).

É ainda pelas badanas que ficamos a conhecer a verdadeira dimensão da importância da literatura portuguesa traduzida compulsivamente em dezenas de países e em especial na Croácia. O campeão absoluto é, contudo, Gonçalo M. Tavares, pois “estão em curso cerca de 300 traduções dos seus livros um pouco por todo o mundo” (Aprender a Rezar na Era da Técnica).

JPG comprova que as badanas e contracapa têm hoje funções sem as quais os escritores e editoras não poderiam mostrar ao público a portentosa obra de arte que têm entre mãos:

Concebidas e executadas com tais cores de sedução e encantamento, as badanas mostram-nos com clareza que estamos perante mentes de cunho invulgar e permitem-nos aquilatar a audácia, a inclinação para o risco, a irreverência, o gosto pelo desconhecido, a coragem de deixar todo o conforto e partir para outras terras comprometendo ou até mesmo sacrificando a estabilidade pessoal, o futuro imediato e muitos outros arrojos de liberalidade que não se encontram em mais nenhuns seres. Daqui pode tirar-se uma elação que ainda ninguém tirou: tal como antes se estampavam efígies, se esculpiam e se fundiam diversos bustos em mármore e em bronze, que serviam para homenagear, estimar e venerar escritores, agora fazem-se badanas.”

Mas não é tudo, porque depois de nos esmagar com o prodigioso mundo que só existe nas badanas, o autor leva-nos ainda a percorrer a via láctea daquela que será uma das grandes obsessões dos (e das) escribas: as mamas femininas. Também aqui são analisadas dezenas de obras, predominantemente romances, de diferentes épocas, estilos e linguagens, de autores tão díspares como Eça de Queirós ou José Rodrigues dos Santos, Camões ou Margarida Rebelo Pinto.

A heteróclita amostra que daria para encher muitos divãs de Sigmund Freud ou da sua discípula Melanie Klein, que estudou a relação de bebés com o seio materno, serve apenas para confirmar a tese de Eduardo Lourenço (O Labirinto da Saudade) de que os portugueses, tal como D. Afonso Henriques, nunca ultrapassaram a sua relação conflituante com a figura materna. Pela profusão de seios grandes, fartos, cheios, enormes, etc. com que os nossos escritores e escritoras ilustram o corpo das mulheres confirmamos que sofremos de um complexo edipiano congénito ou então ainda não nos conseguimos libertar de uma representação da mulher tipicamente masculina.

Há quase 20 anos a escrever sobre o meio literário português, João Pedro George, 45 anos, soma livros e polémicas num meio que tem alguma dificuldade em lidar com as críticas. Começou no Independente, passou por revistas quase obscuras como a saudosa Periférica, de Vila Real de Trás-os-Montes, fez uma tese de mestrado sobre júris e prémios literários em Portugal (publicada na extinta Difel), no seu blogue Esplanar desmontou a arquitetura dos livros de Margarida Rebelo Pinto, texto que foi depois publicado no livro Couves & Alforrecas, que deu direito a uma providência cautelar e a um processo judicial por ofensas, movidos respetivamente pelo editor António de Lobato Faria e pela autora de Sei Lá. Mas a sua obra mais conhecida é a biografia de Luiz Pacheco, Puta que os Pariu e, mais recentemente, organizou a correspondência entre o editor da Contraponto e Laureano Barros, editada pela Tinta-da-China.

A avaliar pelo que dizem as badanas dos seu livros, é “impulsivo, arrojado e inoportuno” e com “um fascínio hipnótico por terramotos e tsunamis”. Escreveu, em 2011, Como Sobreviver a um Terramoto em Portugal, e em 2013 publicou o ensaio O que é um Escritor Maldito? O Observador falou com ele sobre Mamas & Badanas e de como não é fácil dizer bem do meio literário/artístico e jornalístico português.

Woody Allen na famosa cena de uma homem que é perseguido por um seio gigante (ABC do Amor) ilustra perfeitamente a tese de João Pedro George

Sendo que Mamas & Badanas é um livro que satiriza o meio literário, nomeadamente as editoras, foi difícil encontrar quem o quisesse publicar?
Não. Falei no livro a algumas pessoas que não se mostraram interessadas e depois mandei ao Manuel S. Fonseca da Guerra&Paz que foi, de facto, a única pessoa que se dispôs a lê-lo e, em nenhum momento, mesmo sabendo que a sua editora era atingida, me colocou qualquer tipo de restrição. Achou o livro divertido e que era necessário as editoras serem confrontadas com este tipo de crítica. Porque o livro não serve apenas para divertir os leitores, mas também para os pôr a pensar e, já agora, para fazer as editoras e os escritores repensarem as suas estratégias de comunicação com o público.

Ter conhecido o Luiz Pacheco aos 20 anos e ter convivido tanto tempo com ele foi determinante para se ter tornado também o João Pedro em alguém que não tem receio de levantar a crista e dizer publicamente coisas que não agradam a um certo establishment?
Talvez. Mas não foi o único. A grande influência na minha vida, em termos intelectuais, foi o meu padrasto, Carlos Manuel Schneeberger Ataíde. Aquilo que sou hoje deve-se, em grande parte, a ele e às conversas e discussões que duravam até às quatro ou cinco da manhã. Foi ele que me familiarizou com a escrita, com a leitura e com estas duas qualidades intelectuais: o espírito crítico e a liberdade de pensamento. Foi uma das inteligências mais poderosas que conheci até hoje. Mas, como acontece a tantas pessoas excessivamente inteligentes (mas não só), perdeu-se, consumiu a saúde demasiado depressa, por causa do álcool, dos comprimidos e dos vários maços de tabaco que fumava diariamente. Foi uma grande perda para mim.

A verdade é que o João Pedro George se interessou por Luiz Pacheco quando ele era uma figura menos consensual do que é atualmente
Nos anos 90 o Pacheco já era uma figura idolatrada, embora talvez fosse mais conhecido como “personagem” do que pelo seu trabalho como editor e escritor. Descobri o Pacheco na famosa entrevista que ele deu à revista K, nos anos 90. Ele fez-me lembrar o Bukowsky e então fui a Setúbal visitá-lo quando ele vivia num quarto de uma cabeleireira. Recebeu-me com uma tal jovialidade e sentido de humor que rapidamente me esquecia que estava com uma pessoa muita mais velha que eu.

Mas o que é que faz dele, cada vez mais, uma figura de culto?
Talvez porque fosse desbocado e porque tinha um sentido de humor e uma liberdade que não são muito vulgares em Portugal, infelizmente. Aquela liberdade que ele demonstrava nas entrevistas não é comum em Portugal e hoje continua a não ser, apesar de, com a Internet, as coisas terem melhorado um pouco. Mas ainda continuam a existir muitos constrangimentos, censuras e punições às pessoas que ousam levantar um bocadinho a crista.

Em 2013 publicou o ensaio O que é um escritor maldito? (Verbo) onde defende que esse conceito de “maldito” ou “marginal” que se colou à imagem de tantos artistas, nomeadamente poetas, não passa de uma construção social.
O “maldito” é uma construção social em diversos sentidos. Mas as sociedades sempre precisaram da figura do maldito e há malditos que sabem rentabilizar bem esse rótulo. Muitos deles utilizam-no para justificar o seu próprio fracasso.

Por isso, quando vejo estas pessoas que circulam nos meios literários a intitularem-se de “marginais” ou “malditos” farto-me de rir. Porque são quase sempre homens, brancos, de classe média, cristãos e que gozam dos privilégios inerentes a essa condição. Gostava de ver esses jovens burgueses, perfeitamente integrados neste sistema de valores, serem tratados como são tratados, por exemplo, os negros. Põe um desses poetas ditos marginais e um negro da Cova da Moura à procura de trabalho e verás quem é, de facto, o marginal ou o maldito.

Depois de já ter publicado vários livros nos quais não lhe foi fácil dizer bem do meio literário português em geral e de Margarida Rebelo Pinto em particular, depois de algumas boas polémicas nos blogues e de ter certamente criado uma corte de inimigos, já se sentiu punido?
Logo no primeiro jornal onde trabalhei, O Independente, houve pessoas, alguns escritores, que ligaram para a redação a insinuar que eu estava ali a mais. Depois aconteceu-me numa outra revista não me publicarem um texto onde falava dos livros da Inês Pedrosa, do Mega Ferreira e do Possidónio Cachapa, porque a diretora receava perder a publicidade da chancela destes autores. E bati com a porta. É que muitas vezes são as mesmas pessoas que enchem a boca com a retórica da liberdade de expressão, da importância do espírito crítico, que depois, na sombra, usam todo o tipo de manobras para punir e castigar quem as critica ou diz frontalmente que não gostou do trabalho delas. As pessoas nunca estão em  causa, o que está em causa é apenas o trabalho que elas fizeram ou fazem num determinado momento, apenas isso.

Uma das coisas que tem vindo a apontar há vários anos é a promiscuidade entre escritores e jornalistas/críticos literários.
Temos um país pequeno e um campo cultural muito precário do ponto de vista material. Não há muitas oportunidades de trabalho e a competição é feroz. Então as pessoas transitam entre a literatura, o jornalismo, o trabalho nas editoras. Há mesmo quem esteja nos três meios ao mesmo tempo. Como todos se conhecem e se cruzam nas mesmas redacções, todos escrevem uns sobre os outros, algo que sempre me pareceu inadmissível…

Eu nunca disse que não se pode escrever sobre amigos. Os meus alvos sempre foram aqueles que escrevem sobre os livros dos colegas de redação ou que colaboram no mesmo jornal ou revista, mas isso acabou por ser distorcido por muitas pessoas que me atacaram, para anularem o meu argumento e deitarem poeira para os olhos dos outros. Foi o que aconteceu, por exemplo, numa sessão na Casa Fernando Pessoa, onde houve sarrabulho, podia mesmo ter acabado tudo à tareia… O que até seria divertido… Mas a minha questão nunca foi escrever sobre os amigos mas sim usar as relações privilegiadas do local de trabalho para fazer uma coisa eticamente muito questionável, porque se está a enganar o leitor, fazendo passar por trabalho intelectual o que não passa de publicidade.

Este novo livro Mamas & Badanas revela uma literatura prisioneira do marketing e de alguma falta de imaginação de editores e escritores.
É normal que os editores queiram realçar a qualidade da obra, porém, o que a análise das badanas e contracapas revela é alguns efeitos ridículos da industrialização do livro. O mercado deita cá para fora tantas obras que se torna impossível aos editores dedicarem muito tempo a cada uma delas, respeitara especificidade de cada livro. Tanto nas badanas como nas contracapas encontramos um discurso igual ou muito parecido aplicado a coisas muito diferentes.

Mas mesmo que a badana seja escrita pela editora ou pelo marketing, o escritor pode ou não concordar com ela…
Eu não gostaria de perder o controle sobre as minhas próprias badanas…

Por outro lado, as badanas mostram mais enfoque na tentativa de construção da persona do escritor do que no valor artístico do livro.
A persona do escritor resulta de um compósito de discursos que vão desde a badana à contracapa, passando pelo conteúdo do livro, das críticas que saem, nas revistas onde ele aparece, da atribuição dos prémios, de aparecer na televisão, mas sobretudo de ser objeto do discurso de atores que gozam de prestígio do meio literário, intelectual ou académico.

Há badanas que, mais do que falta de criatividade, revelam mesmo um certo desespero humano para se afirmar…
Vivemos dentro de um discurso social, muito inspirado talvez nos valores norte-americanos do êxito, do coaching, da auto-ajuda, etc., que há muitos anos nos tenta convencer que só sendo famosos é que encontraremos a felicidade e que se não conseguirmos isso somos uns fracassados. Isso cria uma grande ansiedade nas pessoas.

É aquela ideia do “self-made man”, de que se trabalhares muito acabarás serás sempre por ser recompensado. Mas isso não é verdade. Só alguns são, de facto, recompensados. Há imensa gente que se farta de trabalhar e nunca é recompensada por isso, além de que as oportunidades não são iguais para todos.

A segunda parte do livro é uma investigação sobre a obsessão dos escritores portugueses por mamas. Pode dar-se o caso de João Pedro George sofrer ele próprio de um profundo edipianismo não resolvido, daí não resistir a procurar mamas em todas as estantes deste país?
Não tinha pensado nisso. A ideia surgiu-me por acaso, por ter lido dois ou três romances, não me lembro quais, em que as descrições das mamas eram parecidas. Depois fui seguindo essa pista.

Que conclusões tirou sobre a forma como se representam os seios femininos na lusa pátria?
Procuro mostrar que é sempre uma representação feita a partir do ponto de vista masculino, mesmo quando são as mulheres que  as descrevem. Há muitos séculos que nosso olhar é dominado pela maneira masculina, patriarcal, de ver, pensar e desejar o corpo feminino. Como é tão habitual, quase ninguém repara nos estereótipos que todos os dias ajudamos a reproduzir de geração para geração. Vejamos o caso do jornal Expresso: no conjunto dos seus comentadores tem cerca de 30 homens e apenas quatro mulheres. Todos acham isso normal porque a opinião do homem (supostamente) dirige-se a todos. Se fosse o contrário, se houvesse 30 mulheres, muitos pensariam que o Expresso é um jornal apenas ou sobretudo para mulheres. Se não fizermos este exercício, como fez o Duchamp com o urinol, de tirar as coisas do seu contexto habitual, de as descontextualizarmos, não percebemos muito do machismo que perpassa em tudo o que lemos, vemos e escrevemos.

Este discurso em torno das mamas denota também um certo moralismo.
A moral sexual não é igualitária, porque o homem pode manifestar às claras o seu desejo sexual, não é julgado por isso. As mulheres não. Se manifestarem ou exibirem esse desejo sexual correm o risco de alguém as considerar umas oferecidas, prostitutas, desavergonhadas, etc. O meu intuito era provocar e há muita gente em Portugal que não entende a ironia e houve até quem, sem ter lido o texto das mamas, me chamasse machista por causa dele. Machista serei em muitas coisas, porque sou um produto de uma cultura machista e não se consegue apagar de repente as marcas de uma educação e socialização onde esses valores eram dominantes. Mas vou fazendo um esforço para identificar alguns desses preconceitos e tentar corrigi-los.

Mas ao fazer esta recolha que junta Camões e José Rodrigues dos Santos no mesmo saco, não corre o risco de fazer uma leitura redutora e mesmo distorcida desse olhar sobre a mulher? Camões, por exemplo, foi o primeiro poeta europeu a escrever sobre a beleza e o seu amor por uma escrava…
A ideia era mesmo essa. Misturar tudo no mesmo saco, para provocar, sobretudo aqueles que se levam muito ou demasiado a sério, que serão talvez a maioria. Transgredir as fronteiras ou as dicotomias literatura séria versus literatura popular ou ligeira. De resto, o Camões tem muitas esquinas onde podemos encostar os ombros. É só uma questão de escolher aquela em que nos sentimos mais confortáveis.

Há uma ideia continua que atravessa vários dos seus livros, e também este, que é a relação entre os escritores e o poder, as várias formas de poder…
Os escritores, e o meio literário em geral, têm tendência a definir a cultura como aquele sector da sociedade cuja função é pôr em causa as convenções, que o discurso do artista e do escritor é necessariamente um discurso anti-poder, de subversão das normas, de desafio ao estabelecido, quando o certo é que eles são os principais responsáveis por reproduzir e perpetuar muitos dos preconceitos, dos lugares comuns, das convenções, das exclusões em que vegetamos. Em grande medida, também eles, e não apenas os políticos, são responsáveis por reproduzirem a ordem estabelecida.