Entre 2012 e 2017, houve 37 viagens ao estrangeiro (a maioria de elementos da GNR, PSP, Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária e Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna) que foram pagas por empresas, revelou um inquérito da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), avançado esta segunda-feira pela TSF. Entre os destinos destas viagens estão os EUA, Brasil, Angola, China e sobretudo vários países da Europa.

O inquérito concluiu que o dinheiro das 12 viagens pagas na secretaria-geral do MAI vieram de empresas tecnológicas como a Oracle, Huawei, Motorola, HP, Fujitsu ou Microsoft. Na GNR e na PSP, as 12 e nove viagens que foram pagas por empresas incluem nomes como a SIVA, que representa marcas como a Volkswagen, ou a Toyota Caetano Portugal, que pagou a viagem mais longa, de uma semana, a São Paulo, no Brasil.

A TSF apurou que o inquérito foi arquivado, mas que listou uma série de recomendações às instituições, como por exemplo, que quando um funcionário fizer uma viagem paga por uma empresa não deve participar em decisões de contratação pública que a envolvam. A IGAI descobriu que houve alguns funcionários a participar em viagens pagas por empresas que depois participaram em concursos públicos onde eles estiveram envolvidos, como a Oracle. A IGAI diz que todas as viagens foram autorizadas.

Em agosto de 2016, a revista Sábado revelou que três secretários de Estado (Fernando Rocha Andrade, João Vasconcelos e Jorge Oliveira) viajaram a convite da Galp para assistir a jogos do Euro-2016, em França. Quase um ano depois, os três anunciaram a sua exoneração e solicitaram ao Ministério Público para serem constituídos arguidos naquele que ficou conhecido como Galpgate.

Viagens à Oracle e Huawei. Os problemas são éticos ou legais? 15 respostas para perceber os casos

Em finais de julho, o Observador noticiou que alguns responsáveis políticos viajaram até à sede da Huawei na China, a convite de empresas privadas — o que poderia configurar o mesmo crime investigado pela PGR no caso Galp. Entretanto, o Expresso revelou que vários funcionários do Estado, dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e da Autoridade Tributária foram à China visitar a Huawei, pagos pela NOS. O Observador avançou também que vários funcionários terão ido a um evento organizado pela Oracle em São Francisco, também com viagens pagas por empresas privadas.