Quase 300 mulheres no Reino Unido podem ter morrido de cancro da mama por causa de um erro no sistema informático, admitiu esta quarta-feira o ministro da Saúde, Jeremy Hunt, no Parlamento.

“Por elas e por outras, é incrivelmente perturbador saber que não se recebeu uma carta para fazer um exame na altura certa e totalmente arrasador saber que se pode ter perdido um ente querido por incompetência administrativa”, declarou o ministro.

Em causa está um erro informático no projeto AgeX, que avisa mulheres entre os 50 e os 70 anos dos exames de rotina que devem fazer relativamente ao cancro da mama. Um erro no algoritmo terá feito com que metade das mulheres em causa não tenham recebido os respetivos avisos entre 2009 e 2018, explica o The Guardian. O Governo estima que ao todo 450 mil mulheres não tenham recebido as cartas — dessas, o Executivo britânico estima que 270 podem ter morrido de cancro da mama.

“Neste momento, não é claro se os atrasos no diagnóstico terão resultado em doença ou morte que poderiam ter sido prevenidas”, declarou Jeremy Hunt. “Tragicamente, é provável que algumas pessoas deste grupo poderiam estar vivas hoje em dia se esta falha não tivesse ocorrido.”

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O ministro explicou que as mulheres em causa que estão vivas serão contactadas até ao final deste mês. O Ministério irá também contactar as famílias das pessoas que morreram e, caso se verifique que a morte poderia ter sido evitada pelo exame, poderão ser indemnizadas.

Ao mesmo tempo, será aberto um inquérito para perceber a dimensão do problema e como podem ser evitados novos erros informáticos desta natureza no futuro. A comissão será liderada por Lynda Thomas, responsável da ONG Macmillan Cancer Support, e Martin Gore, oncologista e professor de medicina do cancro no Instituto de Investigação do Cancro. O relatório deverá ser apresentado nos próximos seis meses.