O Governo fez saber à Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, que “não vê incoveniente” em que seja tornado público o relatório da Proteção Civil que aponta diversas falhas no socorro e combate ao incêndio de Pedrógão Grande, onde morreram 67 pessoas.

A informação foi avançadas pelo ministério da Administração Interna numa nota enviada às redações, onde se explica que o Executivo espera assim que a Procuradoria-Geral levante o segredo de justiça sob o qual está o relatório, cuja existência foi noticiada esta quarta-feira pelo jornal Público.

“Face à especulação entretanto criada, o Governo não vê inconveniente na publicitação do relatório, o que transmitiu à Senhora Procuradora-Geral da República, de modo a que seja avaliado o levantamento do segredo de justiça”, afirma o Executivo, que sublinha a sua abertura face ao apuramento de responsabilidades sobre o que aconteceu naquela noite de junho de 2017.

“O Governo reafirma que nada tem a esconder relativamente ao pleno apuramento dos factos relativos aos incêndios de Pedrógão Grande e de outubro de 2017”, pode ler-se no comunicado.

MAI promete retirar “todas as consequências” dos incêndios

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, prometeu esta quarta-feira que, em relação aos dois momentos de grandes incêndios do ano passado, haverá o “total apuramento de toda a verdade” e “serão retiradas todas as consequências”.

Serão retiradas “todas as consequências por quem tem competência para isso, o próprio Ministério quanto a matéria disciplinar, as autoridades judiciais na medida em que o entendam quanto a matéria de natureza criminal”.

“Total apuramento da verdade e total responsabilização de quem tiver de ser responsabilizado”, reforçou Eduardo Cabrita, em declarações por telefone à Lusa a partir de Marraquexe, onde se encontra a participar numa conferência ministerial sobre migração.

O ministro da Administração Interna falava à Lusa a propósito de um relatório de uma auditoria interna da Proteção Civil sobre o fogo de Pedrógão Grande do ano passado, que aponta falhas graves e que diz que houve documentos apagados, conforme noticiou o jornal Público.

Perante acusações nesse sentido, até de deputados na Assembleia da República, o ministro garantiu que o documento não foi “escondido numa gaveta” e que foi aliás “despachado com celeridade”. E disse que em relação aos incêndios de outubro também está a decorrer uma inspeção para apurar todos os factos.