Problemas de organização no combate ao incêndio e documentos que foram “apagados” ou “destruídos” são algumas das conclusões de uma auditoria interna da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) na sequência do incêndio em Pedrógão Grande, em junho do ano passado e no qual morreram 67 pessoas.

De acordo com o jornal Público, a auditoria foi pedida ainda pela antiga ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, mas o atual ministro Eduardo Cabrita, que recebeu o relatório em meados de novembro, nunca chegou a tornar público o relatório, ao contrário do que aconteceu com o da GNR ou da Comissão Técnica Independente.

Em resposta à notícia, o Ministério da Administração Interna afirma que a “informação de que o Governo tenha ‘escondido’ o relatório desde novembro” é “falsa”, acrescentando que os “documentos a que se refere a notícia foram remetidos ao Ministério Público, junto da Comarca de Leiria, no dia 20 de novembro, para efeitos de investigação, estando assim abrangidos pelo segredo de justiça”.

O relatório da auditoria, ao qual o Público teve acesso, dá conta de uma série de problemas de organização nas primeiras horas de combate ao fogo, nomeadamente falhas e dificuldades de comunicação, veículos de informação que demoraram a chegar, passagens de trabalho feitas informalmente e “ausência” de um dos comandantes de operações.

O documento fala também da dificuldade dos auditores em obter documentação fundamental para o apuramento de responsabilidades, como planos estratégicos de ataque, quadros de situação tática e todas as informações existentes em postos de comando, que ou foram “apagados” ou “destruídos”.

“Não foi possível aceder a um único SITAC [quadro de situação táctica], a um único Quadro de Informação de Células, ou a um PEA [Plano Estratégico de Ação]”, refere o relatório, citado pelo jornal. “Todos estes documentos haviam sido apagados dos quadros das VCOC e VPCC [viaturas de comunicação], ou destruídos os documentos em papel que os suportaram”.

Atualmente, por exemplo, as situações táticas vão sendo atualizadas à medida que a situação vai evoluindo e, quando é feita uma atualização, a versão anterior é apagada. Além de que houve documentos em papel, que passavam pelos vários responsáveis da ANPC, que foram destruídos, adianta ainda o relatório, que foi realizado pela Direção Nacional de Auditoria e Fiscalização (DNAF) da Proteção Civil.

Para a DNAF, esta situação demonstra a necessidade de informatização deste tipo de documentação para que esta seja preservada. O relatório descreve ainda em que consistia o primeiro posto de comando: uma mesa, na qual estava um computador de um bombeiro “com o Google Earth aberto”, e quatro cadeiras.

Artigo atualizado com a resposta do Ministério da Administração Interna