Os polícias e militares vão continuar com a vigília de protesto, que se iniciou às 18h desta quarta-feira, por tempo indeterminado junto ao Palácio Belém, depois de os representantes das associações e sindicatos terem sido recebidos esta quarta-feira pelo chefe da casa militar da Presidência da República.

Uma hora e meia depois de polícias e militares terem iniciado a vigília junto à Presidência da República, para exigir o desbloqueamento de carreiras — como está previsto no Orçamento do Estado –, os representantes das sete associações e sindicatos foram recebidos pelo chefe da casa militar na Presidência da República.

“Vamos manter naturalmente esta vigília. Está tudo rigorosamente na mesma”, disse aos jornalistas o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, António Mota, no final do encontro. Apesar de considerarem a iniciativa importante, os representantes dos polícias e militares vão aguardar que os ministros da Administração Interna e da Defesa tomem a iniciativa e cumpram a lei.

“A partir daí determinaremos se continuamos ou não a vigília nos próximos dias”, afirmou António Mota, explicando que o chefe da casa militar ficou de fazer chegar, “mais uma vez”, ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, as preocupações dos polícias e militares.

“Sabemos que não é o Presidente da República que tem capacidade de intervenção direta e de decisão sobre estas matérias, mas tem capacidade de exercer a sua magistratura de influência”, sustentou.

Os polícias e militares vão estar em vigília por tempo indeterminado entre as 18h e as 22h, sendo esta quarta-feira a exceção, em que vão permanecer até à meia-noite. O protesto é organizado pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, Associação dos Profissionais da Guarda, Associação Nacional de Sargentos, Associação de Oficiais das Forças Armadas, Associação de Praças, Associação Nacional de Sargentos da Guarda e Sindicato Independente de Agentes da Polícia.

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues, disse à Lusa que é necessário que o Governo desbloqueie as carreiras e que negoceie com as associações representativas um modelo para que seja feita a contagem do tempo em que estiveram congeladas, entre 2011 e 2017.

O Governo não está a cumprir aquilo que aprovou. Tentámos junto do Governo várias vezes alertar para a necessidade de cumprir com a lei aprovada, infelizmente não aconteceu, o que nos levou a pedir ao Presidente da República que exercesse a sua influência junto do Governo, mas não vimos qualquer resposta”, sublinhou o presidente do maior sindicato da PSP.

Por sua vez, o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), César Nogueira, referiu que “o Governo tem demonstrado uma total desconsideração pelas forças de segurança e Forças Armadas”. Já o presidente da Associação Nacional de Sargentos, Mário Ramos, disse que se escolheu o Palácio de Belém para esta vigília de protesto porque “foi precisamente ao Presidente da República” que foi enviado o último documento, “numa tentativa para que exercesse a sua influência junto do Governo”.

“Esperamos que o Presidente da República nos diga algo ou que efetivamente a lei seja cumprida e que o ministro da Defesa chame as associações profissionais para negociações”, referiu, frisando que os polícias e militares não sabem quanto tempo vai durar o protesto. “Para já vai ser por tempo indeterminado até obtermos uma resposta”, sustentou.

“O que une polícias e militares é a falta do cumprimento da lei que o Governo aprovou, o que está em causa é o descongelamento de carreiras e é essa a matéria que une os polícias e os militares”, disse ainda à Lusa o presidente da Associação de Praças, Luís Reis.