O PSD e CDS-PP acusaram esta quarta-feira o Governo de ocultar o relatório da auditoria interna da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) sobre o incêndio de Pedrógão Grande e vão exigir o acesso do parlamento ao documento. O Público noticiou esta quarta-feira que o relatório de uma auditoria interna da ANPC aos trabalhos do combate ao fogo de Pedrógão Grande, em 2017, indica que houve documentos apagados ou destruídos.

Segundo o jornal, o relatório, pedido pela então ministra Constança Urbano de Sousa, foi recebido já pelo atual responsável da pasta, Eduardo Cabrita, em meados de novembro, mas este nunca o divulgou. Em resposta, o Governo já negou ter escondido o documento e revelou que o mesmo foi enviado, em novembro, para o Ministério Público encontrando-se em segredo de justiça.

Em declarações aos jornalistas no parlamento, o vice-presidente da bancada do PSD Carlos Peixoto considerou que o relatório divulgado aponta para a existência de “falhas muito graves” no início do incêndio em Pedrógão. “O Governo, perante estas falhas, o que faz é guardar o relatório na gaveta e não o tornar público”, acusou, considerando que “uma coisa é a investigação judicial, outra é a investigação política”.

O deputado do PSD salientou que o executivo tornou públicos outros relatórios anteriores sobre este incêndio e vai pedir o acesso à auditoria interna da ANPC, que considera denunciar “uma omissão e inação por parte da Proteção Civil” que tem de ter “consequências políticas”. “O PSD entende que nesta matéria o governo está claramente a brincar com o fogo”, criticou ainda, acusando o executivo de “ocultar informações que não o deixam nada bem na fotografia”.

Também o deputado do CDS-PP Telmo Correia anunciou que os democratas-cristãos irão enviar ainda esta quarta-feira um requerimento ao ministro da Administração Interna, questionando por que razão o relatório foi mantido “secreto ou escondido”, quais as suas conclusões, se já foram abertos processos disciplinares e que alterações fará o Governo ao nível dos comandos. “A ideia que nos dá aqui é que o Governo, sobre esta matéria, mantém e continua a lançar um manto de obscuridade, um manto de segredo para que não seja possível o país conhecer aquilo que aconteceu”, acusou Telmo Correia.

O deputado do CDS-PP salientou que o partido só não pedirá a audição urgente do ministro, uma vez que já está prevista a presença de Eduardo Cabrita na comissão parlamentar na próxima semana, em 8 de maio. O Público adianta que o relatório da auditoria, feito pela Direção Nacional de Auditoria e Fiscalização da ANPC, aponta para falhas graves na organização inicial do combate ao incêndio e diz que os auditores se depararam com a inexistência de provas documentais sobre o trabalho de combate ao fogo.

Segundo os auditores que fizeram o relatório sobre o desempenho dos seus agentes no combate ao fogo de junho do ano passado, toda a investigação se deparou com “limitações na obtenção de elementos de prova”, informação que “pode tornar-se vital” para a avaliação posterior, nomeadamente ao nível da responsabilidade disciplinar e criminal. Em causa, refere o Público, estão todos os documentos que são produzidos no posto de comando de um incêndio, desde os planos de situação aos planos estratégicos de ataque, e todas as informações das três células de qualquer posto de comando (logística, planeamento e operações).