Um homem branco do Arkansas de 23 anos, Jacob Scott Goodwin, foi condenado esta terça-feira por ofensa à integridade física qualificada por ter espancado um homem negro durante os protestos de Charlottesville, na Virgínia (EUA). O tribunal de júri recomendou que Goodwin cumpra dez anos de prisão, com possibilidade de suspender parte da pena, e uma multa de 20 mil dólares. A pena será decidida pelo juiz a 23 de agosto.

Em causa está a agressão a DeAndre Harris, de 20 anos, espancado por quatro pessoas num parque de estacionamento. Como consequência do ataque, Harris ficou com uma lesão na coluna, um braço partido e escoriações num dos braços que necessitaram de oito agrafos.

Os quatro atacantes foram detidos, mas Goodwin foi o primeiro a conhecer a sentença. Segundo o Washington Post, Goodwin alegou que agiu em auto-defesa, porque Harris lhe acertou com uma lanterna na cabeça: “Goodwin foi lá para exercer a sua liberdade de expressão. O senhor Harris foi para abusar do seu direito de liberdade de expressão”, declarou o advogado de defesa, Elmer Woodard.

A procuradora Nina-Alice Antony, contudo, alegou que Goodwin queria atacar o jovem negro, destacando que o arguido estava protegido com um capacete, um escudo e óculos de proteção. “Ele estava vestido para uma batalha”, declarou a procuradora. O júri assistiu a várias imagens de vídeo da luta, registadas de diversos ângulos. Nelas, conta o Post, é possível ver Goodwin a atingir Harris com o escudo e a pontapeá-lo no chão.

As imagens desse dia também deixam ver que Goodwin trazia vestido roupa com símbolos nazis. Por esse motivo, o seu advogado argumentou durante as sessões no tribunal que esta era um julgamento político: “Querem condenar este homem por ser branco e o DeAndre ser um homem negro”, disse. A procuradora esclareceu que tentou “deliberadamente” não tornar o caso num caso sobre questões raciais.

As agressões ocorreram durante os protestos de Charlottesville, onde vários grupos de supremacistas brancos marcharam contra a retirada de uma estátua de um general da Confederação. Durante as manifestações, um auto-intitulado neo-nazi atropelou várias pessoas, matando uma jovem de 32 anos.