A adesão à greve dos trabalhadores do setor público da saúde na região Centro tem sido significativa e, em Coimbra, há vários serviços encerrados, informou o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (Sintap). No Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), registaram-se, durante a noite, níveis de adesão de cerca de 70% nos internamentos e de 100% nas urgências e cuidados intensivos, números que se refletem no turno da manhã, disse à agência Lusa Ricardo Domingos, membro dos órgãos regionais do Sintap.

“Há serviços encerrados como o secretariado clínico. Nas enfermarias, há uma média de 70% de adesão e há blocos de cirurgia programada fechados e consultas em que o secretariado está fechado”, sublinhou. A greve de dois dias, que arrancou esta quarta-feira, foi convocada pelo Sintap e abrange todos os trabalhadores da saúde, exceto médicos e enfermeiros, dos serviços tutelados pelo Ministério da Saúde, como hospitais ou centros de saúde.

O dirigente sindical é também assistente operacional no serviço de urgência do CHUC, onde está há 16 anos com contrato individual de trabalho, o que significa que são “16 anos sem progressão de carreira”, com uma carga horária superior (40 horas semanais) à dos restantes trabalhadores e sempre a receber o salário mínimo nacional, “como tantos outros com 20 e 30 anos de profissão”.

“De uma vez por todas, temos que marcar a nossa posição e fazer chegar ao Governo que estas injustiças, nomeadamente no setor da saúde, não podem continuar, com uns trabalhadores de primeira e outros trabalhadores de segunda”, criticou. Para além disso, Ricardo Domingos chamou a atenção para a sobrecarga de trabalho, referindo que no CHUC os assistentes operacionais do serviço de urgência tinham, em média, “11 mil horas que vão ficando em bolsa”, sem uma solução definida.

O coordenador regional do Sintap, Jacinto Santos, afirmou à agência Lusa que os níveis de adesão à greve na região Centro, nomeadamente nos hospitais da Figueira da Foz, Coimbra, Aveiro, Estarreja e Santa Maria da Feira estão entre “os 80 a 90%”. Piedade Silva, de 79 anos, era para ter consulta esta quarta-feira no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra. “Cheguei lá e não tive consulta. O médico estava lá, mas não havia auxiliares”, referiu a utente, que esperava à porta do CHUC pela sua filha, que tinha ido ver se a consulta que tinha marcado também teria sido suprimida face à greve.

Já António José Barros foi atendido no serviço de oftalmologia do CHUC, mas notou que, na secretaria, apenas estava uma pessoa. “Disse-nos que ia atender uma pessoa de cada vez e para não arranjar confusão que toda a gente ia ser atendida”, contou. Já uma utente no Centro de Saúde de Celas disse à agência Lusa que notou “muita gente” na sala de espera, mas que tudo se processava normalmente.

A greve exige a aplicação do regime de 35 horas de trabalho semanais para todos os trabalhadores, progressões na carreira e o pagamento de horas extraordinárias vencidas e não liquidadas. No dia 25 deste mês, trabalhadores do setor da saúde voltam a cumprir um dia de greve, uma paralisação marcada pelos sindicatos afetos à CGTP. Já na próxima semana, são os sindicatos médicos que têm uma greve de três dias agendada, para os dias 8, 9 e 10.