O Principado do Mónaco é o segundo país mais pequeno do mundo, apenas abaixo da Cidade do Vaticano, e o território com a maior densidade populacional do globo. Parece difícil imaginar, mas no Mónaco vivem 38.000 pessoas no espaço de 2 quilómetros quadrados: o Central Park, em Nova Iorque, é maior. Destes 38 mil, apenas 10 mil são verdadeiros monegascos – os outros 70% foram atraídos pelas paisagens idílicas e também pelas regalias fiscais. Um terço da população do Mónaco é milionária.

A falta de espaço sempre foi um problema para o pequeno principado que fica no sul de França. Ao longo dos anos, o Mónaco tem roubado pedacinhos de território ao mar Mediterrâneo, com a primeira intervenção a acontecer logo no final do século XIX. Outras extensões de território repetiram-se em 1955, 1960, 1970 e 2002: desde 1880, o Mónaco “cresceu” cerca de 40 hectares, algo como 20% da sua área total.

Mas a situação agudizou-se nos últimos anos, quando começou a tornar-se quase insustentável que cerca de 40 mil pessoas cruzem as fronteiras espanhola e italiana diariamente para trabalhar no Mónaco. O principado está a preparar então uma nova intervenção, planeada para 2025. O projeto, avaliado em 2,3 mil milhões de dólares, vai acrescentar 6 hectares à linha costeira monegasca.

Quando estiver completa, a nova região, Portier Cove – perto do mítico Monte Carlo Casino, que apareceu em três filmes da saga James Bond -, vai albergar mais de mil pessoas em apartamentos luxuosos e vivendas. O projeto inclui também a construção de vários espaços públicos como uma marina, diversos parques e um paredão junto ao mar. Ainda que o Governo monegasco esteja a supervisionar as operações, são investidores privados que estão a financiar o projeto e que vão lucrar com ele.

Crédito: Valode & Pistre

O Mónaco é o sítio do mundo onde é mais caro comprar uma propriedade: no principado, um milhão de euros chega para apenas 17 metros quadrados (comparativamente, em Nova Iorque, o mesmo valor compra 26 metros quadrados). A equipa de investidores espera então lucrar 4,1 mil milhões de dólares com a venda de apartamentos e vivendas na nova região de Portier Cove.

Portier Cove está a ser desenhada para se enquadrar no mar Mediterrâneo e não criar conflitos ambientais. Ainda assim, construir pelo mar adentro é complexo e pode danificar dramaticamente a vida marinha na região. Mas os responsáveis pelo “eco distrito” garantem uma grande ambição de manter a sustentabilidade e a proteção ambiental e já começaram a tomar medidas: as espécies que ali vivem foram transplantadas para reservas marinhas e qualidade da água tem sido constantemente analisada. Para compensar a inevitável perda de habitats naturais, o projeto prevê a instalação de uma grande variedade de habitats artificiais em corredores ecológicos verticais e horizontais.

A CNN conta que 40% do consumo energético de Portier Cove vai ser proveniente da luz solar e de bombas subaquáticas que vão utilizar água do Mediterrâneo para aquecer ou arrefecer as casas. Cada apartamento vai ter 400 metros quadrados, enquanto que cada vivenda vai ter aproximadamente mil. A construção deve estar pronta em 2020 e a região vai ser oficialmente inaugurada em 2025.