O primeiro-ministro afirmou hoje que a questão das próximas eleições é saber se os portugueses querem mantê-lo no cargo, e identificou como exigências de um chefe do Governo escolher uma boa equipa e ter capacidade de diálogo.

António Costa fez estas afirmações em resposta a perguntas formuladas por jovens da comunidade portuguesa de Montreal, que frequentam a Escola da Missão de Santa Cruz.

“Nas próximas eleições [em 2019] os portugueses voltam a escolher e logo veremos se querem continuar com este primeiro-ministro ou se querem mudar de primeiro-ministro. Essa é uma das grandes vantagens da democracia: Quando os cidadãos estão descontentes votam para mudar; quando estão contentes votam para dar força para continuar”, advogou o líder do executivo em resposta ao jovem Gabriel, de 13 anos.

Antes de traçar este dualismo político em relação às próximas eleições legislativas, António Costa procurou esclarecer Gabriel porque quis ser primeiro-ministro.

Uma pergunta que levou o atual líder do executivo a referir-se a factos políticos ocorridos após as eleições legislativas de outubro de 2015, depois de o PS ter ficado em segundo lugar (atrás da coligação PSD/CDS) nesse ato eleitoral.

“Achei que era eu quem tinha melhores condições para formar Governo e liderar o país nesta fase. No passado houve outros [primeiros-ministros], no futuro serão outros”, acentuou.

António Costa referiu-se também à maioria de esquerda existente na Assembleia da República.

“No nosso parlamento conseguiu-se formar uma maioria de apoio a este Governo [PS, PCP, BE e PEV] e que tem funcionado, isto quando já estamos a caminhar para o terceiro ano, faltando mais um até às eleições”, observou.

Antes, um outro rapaz perguntou a António Costa quais são as características mais importantes de um primeiro-ministro.

“Acho que a primeira boa característica é uma ideia do que é necessário fazer, definir um programa, ser capaz de constituir uma boa equipa e de dialogar para ir criando condições para que haja uma maioria política e social de apoio às medidas a tomar. Depois, é preciso ter a persistência e ir trabalhando dia-a-dia para que as medidas tenham sucesso”, sustentou António Costa.

O primeiro-ministro advertiu, porém, que, por vezes, há medidas que levam tempo a fazer efeito e, por outro lado, “às vezes é preciso tomar medidas impopulares”.

“Temos de saber ouvir as pessoas, porque há sempre pontos de vista diferentes. Em política nunca há só uma solução para cada problema. Muitas vezes combinando cada uma encontramos a melhor solução para todos”, admitiu.

O líder do executivo foi ainda questionado por uma rapariga sobre os motivos que o levaram a entrar na política, esclarecendo então que foi inspirado pelos seus pais.

“A política fez sempre parte da minha educação. Tirei o curso de direito, advoguei durante vários anos, andei uns anos sem saber bem se queria continuar advogado ou fazer política, mas acabei por optar pela política – e acho que fiz bem, não estou arrependido e gosto do que faço”, declarou.

Já quando foi desafiado a fazer um balanço da sua visita ao Canadá, António Costa afirmou que gostou “muito das reuniões com [Justin] Trudeau, que é um homem muito simpático, alegre, muito divertido, mas também com grandes ideias sobre o mundo e que gosta muito de Portugal”.

“Temos relações políticas muito próximas e há novas condições para as empresas portuguesas poderem investir e exportar mais bens para o Canadá. Da mesma forma, também espero que as empresas canadianas invistam mais em Portugal”, acrescentou.