Numa semana que ficou marcada pelos ataques de figuras de primeira linha do PS a José Sócrates (o que motivou a saída do partido do ex-primeiro-ministro), Luís Marques Mendes diz que as críticas de figuras como Carlos César, Ana Catarina Mendes ou João Galamba tiveram mais a ver com “calculismo político” e “taticismo eleitoral”, do que com convicção. O comentador revelou ainda na SIC algumas novidades em relação à nova política de distribuição de dinheiros europeus que deverão trazer más notícias para Portugal.

“O PS mudou de discurso por causa do caso Pinho”, começou por referir. Segundo Marques Mendes, a possibilidade do caso Pinho se “juntar” ao de Sócrates era perigosa e isso “assustou-os”. O PS corria o risco de “perder votos, eleições e uma futura maioria absoluta” quando, ainda por cima, Rui Rio já se tinha começado a debruçar sobre o tema, pedindo a audição de Manuel Pinho no Parlamento. Toda esta conjuntura, diz Luís Marques Mendes, fez com que o PS traçasse a linha na areia que seprarava o “PS bom, de António Costa”, do “PS mau, de José Sócrates”.

Quanto à possibilidade desta tomada de posição ter sido orquestrada propositadamente, Marques Mendes não tem dúvidas: “Esta estratégia foi claramente pensada, nada disto aconteceu por acaso. Basta ver que em 48 horas falaram tantas pessoas. Eles queriam matar o assunto nessa semana.” No geral, Mendes diz que as críticas a José Sócrates podem ter sido tardios, sem convicção, mas que, no final, não deixa de ser uma uma decisão benéfica para a democracia… E não só: “A prazo, os militantes e eleitores do Partido Socialista ainda vão agradecer a António Costa por ter tomado esta decisão.”

E José Sócrates, onde fica no meio de tudo isto? O comentador da SIC não ficou surpreendido com a decisão do ex-primeiro-ministro, que “gosta de reagir com um estrondo”, “não é uma pessoa de meias tintas” e “já devia andar a pensar nisto há algum tempo”. Sócrates queria exprimir “um forte descontentamento público em relação ao PS” e esta foi a altura ideal para o fazer.

Marques Mendes, afirma ainda que o José Sócrates decidiu tomar a decisão de desfiliar-se do PS agora porque “percebeu que não tinha nada a perder, perdeu as hipóteses de voltar a ter o apoio” do seu antigo partido. Deixa o aviso, também, de que o ex-secretário-geral “vai fazer os possíveis para incomodar António Costa” porque “é uma pessoa vingativa”.

Corte nos fundos europeus pode ficar entre os 10 e os 15%

A intervenção do comentador serviu ainda para deixar algumas novidades sobre o Orçamento Comunitário da União Europeia que será discutido muito em breve e que, afirma, “trará más notícias para Portugal.” Já tinha sido revelado que havia um corte de 7%, mas, no caso de Portugal, esse valor pode ser mais alto, ficando algures entre os 10% e os 15%. Segundo Marques Mendes, poderemos estar a falar de um corte que poderá ascender em termos absolutos a “cerca de 3 mil milhões de euros”.

Este corte, explica, será motivado por três novos critérios de distribuição que foram adicionados ao único que havia anteriormente (o PIB per capita). “Migrações, taxa de desemprego e alterações climáticas” são fatores que vão passar a ser determinantes na quantidade de dinheiro que é disponibilizada a cada Estado Membro. Como Portugal “não tem grandes migrações, ainda não é afetado pelas alterações climáticas e tem uma taxa de desemprego descendente”, não deverá beneficiar com esses novos critérios. Luís Marques Mendes aconselha o executivo a “negociar bastante” com a UE para evitar um decréscimo tão acentuado em termos de financiamento.