O Túnel do Marão abriu ao trânsito há dois anos e já é considerado uma “obra marco” e uma “ferramenta indispensável” porque facilitou as deslocações e se transformou numa “mais-valia” para os negócios das empresas transmontanas.

A Autoestrada do Marão concluiu o prolongamento da A4 de Amarante a Vila Real, inclui um túnel rodoviário de quase seis quilómetros e abriu a 08 de maio de 2016, depois de sete anos de obra, três paragens nos trabalhos e do resgate pelo Estado.

O investimento global foi de 398 milhões de euros, com um apoio comunitário de 89,9 milhões de euros, e, dois anos depois, os números são surpreendentes: o túnel foi atravessado por quase oito milhões de veículos e contabiliza 15,8 milhões de euros de receitas de portagens.

A média de viaturas que, diariamente, passa pela infraestrutura ronda as 11 mil, das quais 10% corresponde a tráfego pesado.

“Foi uma obra ótima para a região, uma obra que se vai sentir ao longo dos anos. Eu penso que a região não podia dar um passo para a frente em termos de evolução a todos os níveis, principalmente económica, sem o túnel”, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Empresarial Nervir, de Vila Real.

O responsável fala numa “obra marco” que se transformou numa “ferramenta indispensável” para o desenvolvimento.

Luís Tão destacou a importância da nova autoestrada para as deslocações dos utentes e para os negócios das empresas da região.

“Em termos de negócios baixa, pelo menos, os custos para as empresas exportadoras”, sublinhou.

No entanto, ressalvou, que a atração de empresas para este território do Interior não “se faz apenas com uma estrada”. “Eu penso que o túnel é mais uma ferramenta, à qual se deveriam juntar outras a nível, por exemplo, da fiscalidade ou dos custos de energia”, afirmou.

E é este ‘mix’ que, na sua opinião, atrai empresas, não é só um túnel.

“Agora, eu sei uma coisa, é que se não tivéssemos esta via tenho a certeza que não haveria desenvolvimento”, frisou.

Quando abriu o Túnel do Marão, as empresas ainda faziam contas às portagens, ao combustível e ao desgaste das viaturas na subida da serra do Marão, pelo Itinerário Principal 4 (IP4).

“Penso que depois isso se dissipou e atualmente as empresas não fazem contas e não passa pela cabeça de ninguém não ir por ali, com o tempo que se ganha, com a segurança que se tem em relação à IP4”, frisou Luís Tão.

A empresa de transportes Rui Florindo, de Vila Real, passou a fazer praticamente “100%” das suas deslocações para o Litoral pelo túnel, apesar dos cinco euros de portagens para veículos pesados. A empresa possui cerca de 70 camiões e opera em toda a Europa.

O dirigente da empresa Edgar Florindo disse à Lusa que os custos da portagem compensam “pela rapidez da viagem, pela poupança em combustível e, principalmente, pela segurança”.

“O túnel foi uma mais-valia a vários níveis. Vila Real passou a ser um ponto de passagem essencial nas deslocações para a Europa”, afirmou.

Também as empresas de granito em Vila Pouca de Aguiar encaram a infraestrutura como uma “mais-valia” para o setor.

Domingos Ribeiro, da empresa Granitos da Falperra, considera que a nova autoestrada “beneficiou” o setor e as ligações com o litoral e “tem ajudado a reduzir alguns custos”.

O tráfego registado atualmente no Túnel do Marão era o previsto para 2023. Em 2017, o mês de agosto foi aquele que contabilizou o maior número de viaturas, atingindo as 14.894.

É considerada uma infraestrutura segura, no entanto, um incêndio num autocarro, que ocorreu no interior do túnel, em junho de 2017, chamou a atenção para questões relacionadas com a resposta à ocorrência.

Em consequência, foi criada uma sala de emergência no edifício técnico número um e, em breve, estará uma equipa de três bombeiros em permanência, na infraestrutura, a assegurar serviços de prevenção, primeira intervenção e socorro.