Se Gabriel García Márquez ainda fosse vivo, diria que este domingo se escreveu a crónica de uma festa anunciada. O FC Porto entrou no relvado do Estádio do Dragão já campeão mas não quis deixar uma mancha nos festejos e venceu o Feirense por 2-1. Quando Luís Godinho apitou para o final da partida, os jogadores correram e uniram-se à equipa técnica para dar início à segunda noite de festa azul e branca.

E claro, hoje em dia as coisas só acontecem se estiverem nas redes sociais. E foi disso que se encarregou Iker Casillas, que foi rapidamente buscar o telemóvel ao banco de suplentes para começar de imediato a documentar a conquista do primeiro campeonato nacional português do seu palmarés. Já Danilo Pereira – que está lesionado desde abril e foi operado ao tendão de Aquiles -, não deixou que a bota ortopédica que ainda utiliza o impedisse de participar nas comemorações e colocou uma câmara GoPro na cabeça para mais tarde recordar o seu primeiro título.

E ainda que este tenha sido um jogo atípico, já que fosse qual fosse o resultado o FC Porto sairia a festejar, foi um encontro em que os azuis e brancos conquistaram três pontos. E esta temporada Sérgio Conceição implementou uma tradição que se tornou marca registada: no final de todas as partidas, jogadores e equipa técnica uniam-se para um círculo que podia ser de celebração, em caso de vitória, ou de restauração do moral, em caso de derrota ou empate. Este FC Porto-Feirense não foi exceção. O treinador português voltou a reunir toda a gente e, numa roda bem mais breve do que o normal, Brahimi serviu de documentarista e gravou todas as palavras.

O círculo desfez-se e todos os elementos do futebol do FC Porto iniciaram uma volta olímpica – Sérgio Conceição deu a volta ao relvado enquanto gritava “Obrigado” e “Vamos, Porto” para as bancadas. E foi nesta altura que o Estádio do Dragão testemunhou um dos momentos mais icónicos e simbólicos destes festejos. Um polvo de peluche surgiu no relvado, vindo da claque – numa alusão ao “polvo” alegadamente orquestrado pelo rival Benfica – e Gonçalo Paciência sentenciou o animal com a bandeirola de canto. José Sá ainda tentou chegar a tempo de também fazer uma brincadeira mas, nessa altura, Sérgio Oliveira, que Casillas na Alameda do Dragão trataria por “Maradona”, já tinha rematado o peluche com a mesma força com que rematou a bola para fazer o primeiro golo ao Feirense.

A festa acalmou – pelo menos dentro de campo – quando os jogadores recolheram ao balneário e Herrera e Sérgio Conceição tiveram de ir cumprir os papéis de capitão e treinador na flash interview. Foi nesta altura que Pinto da Costa falou aos jornalistas e revelou que Jorge Jesus telefonou a Sérgio Conceição para lhe dar os parabéns pela conquista do campeonato. Mas não é a primeira vez que algo semelhante acontece: em 2011, quando André Villas-Boas levou o FC Porto ao título nacional, o então treinador do Benfica enviou também uma mensagem a congratular o técnico azul e branco.

Os jogadores só regressariam ao relvado mais tarde, para serem chamados um a um e ficarem alinhados para levantar o tão desejado troféu de dez quilos. Marega foi ovacionado, Herrera provocou uma maré de aplausos e fez um gesto ligado ao wrestling mexicano, como que a colocar um cinturão de vencedor, Brahimi fez o Dragão tremer mas as três grandes homenagens foram para os lesionados: Fabiano, Diogo Dalot e principalmente Danilo Pereira. Fabiano não chegou a jogar esta temporada, Dalot estreou-se pela equipa principal este ano e Danilo foi uma baixa de peso desde que se lesionou.

Sérgio Conceição foi chamado pelo speaker e os adeptos nas bancadas do Dragão levantaram-se para aplaudir o treinador – que se sagrou campeão com o FC Porto, enquanto jogador, por três vezes (1997, 1998 e 2004). O técnico juntou-se às crianças que formavam a guarda de honra aos jogadores e formou um círculo tal e qual aquele que tinha feito uma meia-hora antes com o plantel. Pedro Proença entregou a taça, Herrera levantou o troféu que todos queriam mas foi rapidamente assaltado pelos colegas de equipa.

Já com as famílias dentro de campo, incluindo Sara Carbonero, mulher de Iker Casillas, os jogadores multiplicaram-se em festejos, abraços, banhos de bebidas alcoólicas e muitas, muitas fotografias. E era o espanhol, precisamente, o único a permanecer incólume e sem qualquer gota de champanhe. Héctor Herrera subiu ao palanque onde costuma estar Fernando Madureira, o líder dos Super Dragões, e ergueu o troféu de campeão nacional em conjunto com a principal cara das claques azuis e brancas. A festa continuou depois na Alameda do Dragão. E para a semana há mais.