O Tribunal de Loures começa esta segunda-feira a julgar dois dos homens mais procurados pelas autoridades argentinas desde 2003, detidos pela Polícia Judiciária em Aveiro, em 2016, e outros três arguidos, acusados de roubos violentos a bancos.

O início do julgamento está marcado para as 14h, depois de o coletivo de juízes, em 12 de março, ter adiado a sessão porque a advogada de um dos cinco arguidos informou que o seu cliente só recebeu a notificação do despacho da marcação de início de julgamento em 8 de março, indicando que não iria prescindir do prazo de 20 dias para apresentar contestação.

Nesse dia, o coletivo de juízes, composto por Elisabete Reis (presidente), Ana Batista e João Claudino (adjuntos) procedeu apenas à identificação dos arguidos, agendando para esta segunda-feira a “tomada de declarações” dos arguidos que o quiserem fazer. À semelhança do que aconteceu em 12 de março, são esperadas fortes medidas de segurança.

Rodolfo “El Ruso” Lohrman e Horacio Maidana, de 53 e 57 anos, detidos preventivamente na prisão de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, são suspeitos de realizar, em 2003, em conjunto com outros elementos, o sequestro de Christian Schaerer, à data com 21 anos, estudante de direito e filho de um empresário da província de Corrientes, perto da fronteira com o Paraguai. Os autores exigiram um resgate para a sua libertação, mas até hoje o jovem nunca apareceu.

Quando foram detidos, em 16 de novembro de 2016, pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da PJ, no momento em que se preparavam para assaltar uma carrinha de valores, os dois apresentaram identidades falsas. Só meses depois é que a PJ descobriu as suas verdadeiras identidades, percebendo tratar-se de dois dos criminosos mais procurados pelas autoridades argentinas.

Os outros arguidos — Manuel Garcia, guatemalteco, 32 anos, e Christian Gomez, 35 anos, de nacionalidade espanhola — estão em prisão preventiva ao abrigo deste processo, enquanto Jaime Fontes, português, 33 anos, está a cumprir pena por tráfico de droga, no âmbito de outro processo.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), a que a agência Lusa teve acesso, antes de meados de agosto de 2014, os arguidos organizaram-se num grupo — que tinha “o seu modo de viver único e exclusivo” — para a prática de roubos a instituições bancárias em Portugal. Escolhido o dia e hora do assalto, o grupo, liderado por Lohrman, atuava com grande violência.

A acusação indica que o grupo assaltou quatro bancos (três no concelho de Odivelas e um em Cascais), entre 2014 e 2016, conseguindo levar, ao todo, cerca de 235 mil euros, que foram transferindo para o estrangeiro, e furtado cinco viaturas.

Os arguidos estão acusados de associação criminosa e de vários crimes de roubo qualificado, furto qualificado, falsificação, branqueamento de capitais, detenção de arma proibida, condução sem carta, respondendo ainda alguns deles por falsas declarações.