O Presidente da República timorense pediu esta terça-feira um discurso “de verdade” para honrar quem lutou pela independência de Timor-Leste, relembrando essa vitória no sábado quando os eleitores forem às urnas nas eleições legislativas antecipadas. “A escolha, o voto de cada timorense é importante para o futuro do país e de todos nós”, disse Francisco Guterres Lu-Olo, no arranque de um debate político em Díli.

“Queremos ser um país livre da miséria, livre da fome, livre do obscurantismo. Queremos ver um povo mais feliz, mais capaz de usar o potencial que cada um de nós tem. Os programas e as propostas dos partidos e coligações devem visar estes objetivos”, disse.

Francisco Guterres Lu-Olo falava na sede da Comissão Nacional de Eleições (CNE) que esta terça e quarta-feira acolhe o debate dos oito partidos e coligações candidatos às eleições legislativas antecipadas de sábado.

O grande debate — são cinco horas em cada um dos dias — e que está a ser transmitido em direto pela televisão pública, RTTL, vai dividir os temas em dois blocos, com a saúde, comunicação social, educação, desemprego, idosos, infraestruturas, turismo, agricultura e pescas. Na quarta-feira, será a vez de debater política interna, boa governação, administração pública, defesa e segurança.

Das três forças políticas mais fortes — a coligação AMP e os partidos Fretilin e PD — apenas a última tem o seu líder máximo no debate. Considerando saudável o debate político do período eleitoral, Lu-Olo disse que espaços como este permitem às várias forças políticas “continuar a esclarecer os cidadãos”, mobilizando-os para a votação de 12 de maio.

“Os programas e as propostas dos partidos e coligações são o centro de atenção. O país precisa de reflexão e do debate político num clima de paz e estabilidade sobre os programas dos partidos e coligações concorrentes”, referiu.

Apesar de alguns incidentes lamentáveis que foram registados, “felizmente muito raros”, a campanha ficou marcada pela “maturidade e grande sentido de responsabilidade” com que a população, em todos os municípios, a acompanhou, considerou Lu-Olo.

“É prova de maturidade não responder a provocações. Quem provoca só procura diminuir o valor da democracia e da vontade dos cidadãos”, afirmou, num discurso em português.

“Este debate (…) é uma bela oportunidade para os líderes apresentarem as suas ideias com ponderação, dando exemplo do respeito que merecem as propostas diferentes. O respeito pela dignidade dos outros é um pressuposto da democracia”, considerou.

Lu-Olo recordou a história da luta pela independência de Timor-Leste para pedir que se honrem “todos quantos sacrificaram as suas vidas por esta vitória”.

“Falar a verdade é uma forma de honrar os nossos heróis, os nossos combatentes de Libertação Nacional e todos quantos se sacrificaram, de uma forma ou doutra, para esta nossa vitória”, disse.

“Reforçar a democracia é agir com verdade, é não distorcer factos. Saibamos construir a unidade do nosso povo, falando a verdade. Falar verdade é importante para os cidadãos reforçarem a confiança no Estado”, considerou ainda.