A Altice Arena, em Lisboa, recebeu, esta terça-feira, a primeira semifinal da 63.ª edição do Festival Eurovisão da Canção. Ao todo, subiram ao palco 19 concorrentes, numa cerimónia conduzida pelas apresentadoras portuguesas Filomena Cautela, Sílvia Alberto, Daniela Ruah e Catarina Furtado. A grande estrela da noite foi a concorrente do Chipre, Eleni Foureira. Apesar de ter atuado em último lugar, Foureira, que além de cantora é também atriz, deixou o público da Altice Arena rendido com o tema “Fuego”. A israelita Netta, há muito apontada como uma das favoritas, também não dececionou.

Além destas duas cantoras, foram escolhidos outros oito artistas, que irão atuar na grande final de 12 de maio, sábado, juntamente com Portugal, país vencedor da edição do ano passado, e os chamados “Big Five” (França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido), que têm acesso direto à final por serem os que maior contributo financeiro dão à União Europeia de Radiodifusão, a organizadora da Eurovisão.

A segunda semifinal da Eurovisão acontece esta quinta-feira, 10 de maio, e levará a concurso 18 canções (menos uma do que esta terça-feira), que atuarão na seguinte ordem: Noruega, Roménia, Sérvia, San Marino, Dinamarca, Rússia, Moldávia, Holanda, Austrália, Geórgia, Polónia, Malta, Hungria, Letónia, Suécia, Montenegro, Eslovénia e Ucrânia. Se perdeu o evento desta terça-feira ou se se está a questionar quem são os dez vencedores desta primeira semifinal, saiba que reunimos algumas informações essenciais sobre cada um deles. Ora veja:

Áustria

Cesár Sampson, “Nobody But You”

César Sampson não é estranho a estas coisas da Eurovisão. Antigo membro do coletivo Symphonix International, sediado em Viena, Sampson foi um dos responsáveis pelos históricos quatro e segundo lugares alcançados pela Bulgária nos anos de 2016 e 2017, respetivamente. Este ano, porém, o artista decidiu participar sozinho com “Nobody But You”, tema composto por Sebastian Arman, Cesár Sampson, Joacim Persson, Johan Alkenäs e Borislav Milanov. Convém ainda lembrar que Sampson é um nome bem conhecido na cena musical da Áustria, uma vez que já colaborou com de alguns dos projetos austríacos alternativos mais famosos, como Kruder & Dorfmeister, Sofa Surfers e Louie Austen.

Estónia

Elina Nechayeva, “La Forza”

Elina Nechayeva nasceu a 10 de novembro de 1991. Formada pela Academia de Música e de Teatro da Estónia, a soprano ficou conhecida dos telespectadores estónios depois de participar na terceira temporada do “Eesti otsib superstaari”, versão do programa “Ídolos”, em 2009. Cantora lírica, Nechayeva tem naturalmente a música clássica como principal influência, apontando como compositores favoritos Mozart e Tchaikovsky. Essa preferência musical está bem patente no tema que escolheu para participar na Eurovisão. A letra de “La Forza” foi escrita juntamente com uma outra soprano, Ksenia Kuchukova, e a música é da autoria de Mihkel Mattisen, cantor pop, compositor e pianista com formação clássica, e Timo Vendt, produtor e multi-instrumentista. Além do seu timbre potente, a maior surpresa da noite foi o seu vestido, sobre o qual foram projetadas várias imagens durante a sua atuação.

Chipre

Eleni Foureira, “Fuego”

Depois da atuação desta terça-feira, Eleni Foureira vai deixar de precisar de apresentações. Nascida a 7 de março de 1987, em Fier, na Albânia, a cantora e atriz reside atualmente na cidade de Atenas, na Grécia. Foureira lançou a sua carreira a solo em 2010, com a edição de um álbum homónimo de originais. Foi também nesse ano que se candidatou pela primeira vez na Grécia a um concurso de acesso à Eurovisão, alcançando o segundo lugar. Muitas vezes apelidada de “Rainha da Pop” grega, Foureira tem vários singles de grande sucesso editados, tanto na Grécia como no Chipre, escritos em grego e inglês. Uma das suas canções mais conhecidas é “Send For Me”, escrita em colaboração com o produtor e rapper A.M. SNiPE. Além de cantora, Foureira é ainda membro do júri da edição grega do programa “So You Think You Can Dance”.

Lituânia

Ieva Zasimauskaitė, “When We’re Old”

Ieva Zasimauskaitė, de 24 anos, começou a ter aulas de música aos seis anos. Estudou piano, música pop e, aos 14 anos, participou no Festival Eurovisão da Canção Júnior como cantora de apoio. Apesar de estar ligada à música desde muito cedo, foi só em 2012 que lançou a sua carreira, depois de ter participado na segunda temporada da edição lituana do “The Voice”. O tema que interpretou na primeira semifinal da Eurovisão, “When We’re Old”, é da autoria de Vytautas Bikus, famoso compositor lituano responsável por alguns dos maiores hits daquele país, e fala sobre envelhecer.

Israel

Netta, “TOY”

Já se falou tanto de Netta que a cantora quase nem precisa de apresentações. Uma “mistura de Bjork, Yelle e M.I.A”, é a israelita de 25 anos que lidera a lista de preferências para esta edição da Eurovisão com a música “TOY”, uma “mistura de estranhos loops vocais, maneki-neko, referências ao Pokémon e passos de dança de galinha”, como descreve o jornal britânico Independent. Apesar de ter ficado conhecida depois de ter sido selecionada para participar no concurso, Netta conta já com uma longa carreira no mundo da música, que inclui uma passagem pela banda da marinha israelita e um contrato de três anos como cantora no Bar Giora, em Tel Aviv. Em 2016, fundou o grupo The Experiment, participando, nesse mesmo ano, na produção teatral “Running on the Sea”. Foi também mais ou menos deste período que passou a integrar o grupo Gaberband (do qual faz ainda parte), que a levou a atuar em várias localidades israelitas e também fora do país. O tema que a tem feito destacar nesta edição do Festival Eurovisão da Canção, “TOY”, foi composto por Doron Medalie, um dos compositores israelitas de maior sucesso, e Stav Beger. Nela, Netta garante: “I’m taking my Pikachu home” (o que quer que isso queira dizer).

República Checa

Mikolas Josef, “Lie To Me”

Compositor, produtor, cantor, multi-instrumentista e realizador de vídeos de música. Mikolas Josef parece ser capaz de fazer quase tudo. Nascido a 4 de outubro de 1992, em Praga, República Checa, Josef começou a tocar guitarra aos cinco anos. Depois de uma temporada a trabalhar como modelo e de uma viagem de quase um ano pela Europa, lançou a sua carreira em 2015, com o single “Hands Bloody”. Foi, porém, com a música “Free” que se tornou um nome conhecido entre os checos. Atualmente, Josef vive em Viena, Áustria, onde trabalha de perto com o produtor musical Nikodem Milewski, o seu “mentor”, que já colaborou com grandes nomes da música, como Sam Smith. O tema que trouxe à edição portuguesa da Eurovisão, “Lie To Me”, foi composta por si. Com uma ajuda de Milewski, claro. Já a mochila, ao que parece, anda sempre consigo.

Bulgária

EQUINOX, “Bones”

Antes da Eurovisão, não havia EQUINOX. O grupo foi formado propositadamente para a edição de 2018 do festival e é composto por cinco cantores que nunca tinham atuado juntos — Zhana Bergendorff, Vlado Mihailov, Georgi Simeonov, Johnny Manuel e Trey Campbell. A música que levam a concurso, “Bones”, foi composta por Borislav Milanov, Joacim Persson, Brandon Treyshun Campbell e Dag Lundberg, membros dos já muito referidos Symphonix International.

Albânia

Eugent Bushpepa, “Mall”

Eugent Bushpepa conta com uma longa e premiada carreira musical. Nascido a 2 de julho de 1984, começou a cantar quando tinha apenas seis anos. Contudo, foi só em 2006, data em que começou a atuar frequentemente em discotecas e bares na Albânia, que a sua carreira arrancou verdadeiramente. Desde então, recebeu vários galardões (como o Vodafone Club Award, em 2009) e abriu para artistas como Deep Purple, Duff Mckagan (baixista dos Guns N’ Roses) e Overkill. Aos 33 anos, Bushpepa é hoje um dos cantores rock mais famosos da Albânia e dos países de língua albanesa. Os seus tempos livres são dedicados ao ativismo e à defesa dos direitos humanos, causa que o apaixona há vários anos. Para participar na Eurovisão, escolheu a música “Mall” (composta pelo próprio), uma das poucas a concurso que não foi escrita em língua inglesa.

Finlândia

Saara Aalto, “Monsters”

Depois de se ter candidatado duas vezes ao concurso finlandês de acesso ao Festival Eurovisão da Canção, Saara Aalto foi finalmente escolhida para representar a Finlândia no concurso internacional. A verdade é que, desde 2011, altura em que se candidatou pela primeira vez à Eurovisão, Aalto cimentou a reputação no seu país de origem e não só. Na Finlândia, participou nos programas “The Voice”, “Finland’s Got Talent” e foi a escolhida para dar voz à Princesa Ana na versão finlandesa do aclamado filme de animação “Frozen”. Em 2016, participou no programa “X Factor UK”, de Simon Cowell, ganhando a atenção dos britânicos. “Monsters”, a música que apresentou esta terça-feira na Altice Arena, em Lisboa, foi composta por ela, por Joy Deb, Linnea Deb e Ki Fitzgerald.

Irlanda

Ryan O’Shaughnessy, “Together”

Apesar de ser conhecido como músico e cantor, Ryan O’Shaughnessy começou a sua carreira na televisão. Quando tinha apenas oito anos, conseguiu um papel na famosa telenovela “Fair City”, do canal de televisão irlandês RTÉ, que desempenhou durante dez longos anos. Aos 17, porém, a música chamou mais alto, acabando por abandonar “Fair City”. Entrou para a Universidade de Dublin, onde estudou composição, lançando as primeiras músicas em 2012. Nesse ano, participou também na edição irlandesa do “The Voice” e no “Britain’s Got Talent”. Foi neste último programa que deu a conhecer o agora famoso tema “No Name”. Pouco depois, O’Shaughnessy conseguiu um contrato com a Sony do Reino Unido, lançando um EP homónimo que atingiu o número um nas tabelas de venda da Irlanda e o número nove nas do Reino Unido. Em 2016, editou o primeiro longa-duração, Back to Square One, que o levou a atuar intensivamente nos Estados Unidos da América e Canadá. “Together”, a música que o trouxe a Lisboa, foi composta pelo próprio, por Mark Caplice e Laura Elizabeth Hughes.