A equipa de Robert Mueller — o procurador especial que está a investigar a alegada ingerência russa nas eleições norte-americanas de 2016 — interrogou o oligarca russo Viktor Vekselberg sobre milhares de dólares em pagamentos efetuados ao escritório do advogado pessoal de Donald Trump, Michael Cohen, já após o escrutínio. Entretanto, o advogado da atriz pornográfica ‘Stormy Daniels’, Michael Avenatti, terá na sua posse documentos que mostram que o advogado terá recebido 500 mil dólares (420 mil euros) deste oligarca, próximo de Vladimir Putin, mas a CNN não conseguiu confirmar a veracidade da documentação.

A única certeza é que a equipa de Muller interrogou o empresário sobre as transferências de milhares de dólares feitas para Cohen. O russo é presidente do grupo de gestão de ativos Renova Group e, em abril, a administração de Trump colocou Vekselberg na lista de russos sancionados por interferências em ato eleitoral. Segundo a CNN, o objetivo dos pagamentos e a relação comercial entre Vekselberg e Cohen ainda não são claros.  O escritório e a casa de Cohen foram alvo de buscas e, de acordo com documentos judiciais, parte dessas buscas foram a mando da equipa de Robert Mueller.

Michael Avenatti, advogado de Stormy Daniels — a atriz porno que recebeu 130 mil euros para não quebrar o silêncio sobre o envolvimento com Trump –, alega que 500 mil euros transferidos pelo oligarca russo foram parar à conta bancária da Essential Consultants, uma empresa que Cohen criou antes da eleição e que foi utilizada para pagar a Stormy Daniels. Os pagamentos terão sido feitos de janeiro a agosto de 2017.

De acordo com a CNN, o FBI terá pedido a Vekselberg informações sobre pagamentos que uma filial americana da sua empresa, a Columbus Nova terá feito a Cohen. Além disso, o russo foi ainda questionado sobre 300 mil dólares em donativos políticos efetuados por Andrew Intrater, um primo americano de Vekselberg que lidera a Columbus Nova.  Andrew Intrater terá também sido ouvido por investigadores da equipa de Mueller.

Os pagamentos terão ocorrido numa altura em que Cohen estava a tentar construir uma empresa de consultadoria e serviços jurídicos e já tinha deixado a “Trump Organization”. Ainda assim, naquela altura Cohen ainda era advogado pessoal de Trump. Ainda em abril, quando Trump respondeu a perguntas sobre o pagamento a Daniels, o presidente dos EUA disse: “Michael é o meu advogado”. De acordo com os autos do processo, citados pela CNN, o advogado de Cohen disse que o advogado tem sete clientes para os quais fornece “consultadoria estratégica e consultadoria de negócios”, mas não especificou se a Columbus Nova era um desses clientes.

Na última terça-feira, já após a investigação da CNN, o conselheiro-geral da Columbus Nova, Eric Kosta, emitiu um comunicado em que garante que “a empresa é 100% detida e conrtrolada por americanos. Qualquer sugestão que em algum momento Viktor Vekselberg ou alguma das suas empresas foi proprietária ou exerceu qualquer controlo sobre Clumbus Nova é evidentemente falso”.