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Arte Contemporânea

ARCOlisboa “já tornou Lisboa um dos eixos mais atrativos da Europa”

Mais galerias, uma mostra das obras compradas pela Câmara, mas o mesmo número de visitantes esperados. As novidades da feira de arte contemporânea foram conhecidas nesta quarta-feira.

Pela primeira vez, uma "feira-satélite" vai acontecer nas mesmas datas da ARCOlisboa

LUSA

Autor
  • Bruno Horta

O aumento do número de galerias presentes é a principal novidade da terceira edição da ARCOlisboa, que começa a 17 de maio no edifício da Cordoaria Nacional, na Avenida da Índia. Foram escolhidas 72 galerias, face às 58 do ano passado e às 45 de 2016. Em termos de visitantes, 10 mil é a expectativa de Carlos Urroz, diretor da feira, um cifra idêntica à de 2017, que por sua vez tinha ficado abaixo do 13 mil de 2016.

As palavras “reforço” e “expansão” foram das mais repetidas nesta quarta-feira ao fim da manhã, durante uma conferência de imprensa na Câmara de Lisboa. Mas a galerista Cristina Guerra, do comité organizador, não perdeu a oportunidade de deixar o recado que transmitiu há um ano. Referindo se à falta de dinheiro dos museus públicos para aquisição de obras, o que é entendido como um desincentivo aos privados para que façam o mesmo durante a feira, afirmou: “Apelo ao governo para começar a olhar para os museus, para que aumente o Orçamento do Estado e incentive o mercado.”

O presidente do município, Fernando Medina, disse que artistas e galeristas “estão mais confiantes e disponíveis” do que nas duas edições anteriores e que a ARCO “tem hoje um papel na afirmação de Lisboa como capital cultural” e na “criação de oportunidades de acesso dos artistas portugueses a canais internacionais”.

No mesmo sentido falou Eduardo López-Puertas, diretor geral da IFEMA (Institución Ferial de Madrid, que gere a ARCOmadrid desde há 37 anos e criou a versão lisboeta). “A ARCOlisboa é hoje uma referência para a arte” e “já tornou a cidade um dos eixos culturais mais atrativos da Europa”, disse.

Na secção principal da feira, ou seja, o espaço principal onde estão os stands, há novos nomes: as galerias Krinzinger (Viena), Helga de Alvear (Madrid), Carreras Mugica (Bilbau), Milan (São Paulo) ou Greengrassi (Londres). A secção Opening, surgida em 2017 e comissariada por João Laia, é dedicada a galerias jovens e incluirá a lisboeta Balcony e a catalã Bombon, entre outras.

Em termos de conferências e conversas informais, a feira contará com a presença, na secção Fórum Museus, de Rita Lougares, diretora do Museu Berardo, e de João Laia, diretor do Museu de Serralves. As semelhanças e diferenças entre a programação de museus portugueses e estrangeiros será tema principal. As sessões “Em Que Estou a Trabalhar”, coordenadas por Filipa Oliveira, reunirão portugueses como John Romão, responsável pela bienal BoCA, e Carlos Antunes, da Bienal de Coimbra.

Na conferência de imprensa, Carlos Urroz deu destaque à feira de editoras independentes “Tables are Shelves”, comissariada por Luiza Teixeira de Freitas, enquanto Cristina Guerra revelou que os colecionadores de nacionalidade belga têm sido os mais ativos na compra de obras durante a ARCOlisboa. “Uma coisa impressionante”, classificou.

A ARCO decorre entre 17 e 20 de maio, com bilhetes individuais a custarem 15 euros (tal como nos anos anteriores). Desta vez, o horário de abertura ao público estende-se até mais tarde: dias 17 a 19, das 14h00 às 21h00; e dia 20, do meio-dia às 18h00.

No Torreão Nascente da Cordoaria, a Câmara de Lisboa vai promover uma exposição intitulada “Campo de Visão”, de entrada livre, com as obras que o município comprou na ARCOlisboa em 2016 e 2017. Até agora, a Câmara despendeu cerca de 150 mil euros em aquisições e tem disponíveis mais 50 mil para este ano. Ao Observador, o presidente da Câmara deixou em aberto a possibilidade de reforço desta verba. Entre os artistas representados contam-se Luísa Cunha, Paulo Nozolino, Ana Manso, Pedro Calhau, Fernanda Fragateiro, António Júlio Duarte e Ângela Ferreira. A comissão que decide as obras a adquirir é integrada por Sara Matos, Sérgio Mah, Manuel Costa Cabral, Joana Sousa Monteiro e José Luís Porfírio.

Questionada sobre a feira de arte contemporânea que este ano, pela primeira vez, acontece ao mesmo tempo que a ARCO — Just LX, organizada pela empresa espanhola Art Fairs, no Museu da Carris —, Cristina Guerra classificou-a como “feira-satélite” e disse tratar-se de “algo normal e natural” que “vai ajudar a própria ARCO” a captar mais visitantes.

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