O advogado de Roman Polanski ameaçou processar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos depois de ter sido expulso da organização sem sequer ter sido ouvido.

Harland Braun enviou uma carta à direção da Academia, na terça-feira, em que acusa a organização — que todos os anos entrega os Óscares — não só de não respeitar as próprias regras como a legislação da Califórnia, uma vez que não deu oportunidade a Polanski de se defender. “Não estamos aqui para contestar a decisão da expulsão, mas antes o desrespeito flagrante da organização pelas suas próprias normas de conduta, bem como as normas do Código das Empresas da Califórnia”, refere o advogado, citado pelo Los Angeles Times, que teve acesso à carta.

A Academia, cuja direção é composta por nomes como o ator Tom Hanks, o realizador Steven Spielberg e a produtora Kathleen Kennedy, expulsou na semana passada o realizador, de 84 anos, e o ator Bill Cosby, no seguimento do novo código de conduta adotado na sequência do escândalo Harvey Weinstein.

Recorde-se que Polanski assumiu ter tido relações sexuais com Samantha Geimer, na altura com 13 anos. Desde então,  o realizador de filmes como “A Semente do Diabo” (1968), “Chinatown” (1974) e “O Pianista” (2002) — com o qual venceu o Óscar de Melhor Realizador — foi acusado por outras três mulheres de violação. Desde 1977 que o realizador, atualmente a viver em França, é procurado pela Justiça norte-americana pela violação de Geimer.

A própria Samantha Geimer, na sequência da expulsão de Polanski, considerou que se tratou de uma decisão “feia e cruel, que serve apenas de aparência”. “Isto não faz nada para mudar a cultura sexista de Hollywood”, afirmou Geimer, numa entrevista à Vanity Fair.

Antes de ser expulso, Polanski descreveu o movimento MeToo — que surgiu após o escândalo Weinstein e que levou  mulheres por todo o mundo a relatarem as suas próprias experiências de assédio e abuso sexual — como uma “histeria em massa”. “Acho que este é o tipo de histeria em massa que ocorre na sociedade de tempos a tempos”, afirmou o realizador numa entrevista à publicação polaca Newsweek Polska, citado pelo The Guardian. “Toda a gente está a tentar apoiar este movimento essencialmente por medo… Acho que é uma hipocrisia total.”