A final do Festival da Eurovisão da Canção, que se realizará no próximo dia 12 de maio, representa o fim de um ciclo para Salvador Sobral, que ficou “marcado pela vitória [do festival], pela fama exagerada e pela operação”: “Abra-se um novo ciclo!”, afirmou o músico, numa entrevista ao Público.

Um ciclo que não podia terminar da melhor maneira: o cantor irá atuar com um dos seus ídolos, Caetano Veloso. “Acho que vou desmaiar. É pena, porque não estou a conseguir aproveitar por inteiro o momento. Estou muito nervoso, o que é uma chatice. Antes nunca ficava nervoso e agora não durmo nada. É surreal”, contou o cantor.

É certo que ambos irão cantar “Amar pelos Dois”, a canção escrita pela irmã Luísa Sobral com a qual venceu a Eurovisão, e que Salvador Sobral não tem pejo em descrever como “a melhor canção” do concurso do ano passado. “Era uma canção rica harmonicamente, melódica e liricamente. E também emocionalmente. Tinha conteúdo. Era a melhor canção e não tenho vergonha de o dizer, só porque sou eu que a canto. É verdade. Era mesmo a melhor.”

Contudo, está por decidir se irão interpretar o seu novo single “Mano a Mano”. “O que está certo é que vamos cantar o Amar pelos dois, com o Júlio ao piano. É uma raridade na Eurovisão, haver alguém a tocar mesmo um instrumento, porque a base instrumental é sempre em playback.”

Se Portugal tem possibilidades de ser novamente vencedor? O cantor gostaria que Cláudia Pascoal e Isaura voltassem a repetir o seu feito, mas acha “difícil” por “questões políticas e até práticas”: “não sei se teríamos dinheiro para voltar a receber um festival destes.”

O músico português espera, depois de sábado, conseguir seguir em frente enquanto músico e não enquanto vencedor do festival que, assume, tanto de bom lhe trouxe. “Espero passar o testemunho e deixar de ser encarado como o vencedor do festival — porque vai haver um novo ganhador — e voltar a ser apenas o Salvador Sobral da música”, afirma o cantor, acrescentando que foi graças à Eurovisão que teve a possibilidade de ir “tocar a festivais de jazz onde nunca sonharia tocar. “Portanto, existe uma relação de amor-ódio, mas na balança do que esta experiência me trouxe, vislumbro mais coisas positivas do que negativas.”

Atualmente Salvador Sobral, que fez um transplante de coração em dezembro do ano passado, tem-se dedicado a vários projetos musicais, que passam tanto pelo jazz como pela música da América Latina, sem esquecer o seu projeto a solo Alexander Search.

“Tenho tocado com diferentes bandas, em particular no espaço da Fábrica Braço de Prata, para treinar, porque a minha voz sofreu algumas alterações. Fazia retenção de líquidos, tinha uma barriga muito grande, e o diafragma estava alto. Agora, como é óbvio, perdi os líquidos, o diafragma desceu e a voz alterou-se. Desde março — sem dizer nada a ninguém — que ando a tocar.

Espera-se ainda para outubro o lançamento de um novo álbum, que irá integrar músicas compostas por si e por nomes como Gonçalo M. Tavares, Miguel Esteves Cardoso, Luísa Sobral e Samuel Úria.