As flores de papel feitas à mão, em Campo Maior, vão ornamentar a entrada principal de um dos maiores estádios de Hiroshima, no Japão, recriando o ambiente das tradicionais Festas do Povo da vila alentejana. Arte centenária de Campo Maior, no distrito de Portalegre, as flores de papel vão engalanar dois troços de rua, junto à entrada principal do Mazda Zoom Zoom Stadium, que comemora, este mês, o seu 10.º aniversário.

O presidente do município alentejano, Ricardo Pinheiro, explicou esta quinta-feira à agência Lusa que a ideia de levar as flores de papel a Hiroshima, uma das maiores cidades do Japão, com 1,2 milhões de habitantes, foi lançada numa recente visita de turistas japoneses a Campo Maior, por ocasião do certame “Jardim de Papel”. Depois, segundo o autarca, o desafio para estar presente com as flores de papel junto ao estádio, que assinala o seu aniversário entre os dias 25 e 27 deste mês, partiu de forma “formal”, da administração do Hiroshima Toyo Carp, um dos maiores clubes de basebol do Japão.

Para concretizar o projeto, vão ser necessárias cerca de 30 mil flores de papel, a grande maioria feita no Japão por uma equipa de técnicos do município alentejano que se encontra a trabalhar em Hiroshima.

“Numa fase inicial, pensamos que não iríamos ser capazes de fazer um processo de internacionalização, mas os japoneses começaram a vir a Campo Maior e as coisas aconteceram. Eles pagaram todo o processo, todas as viagens e levaram as pessoas de Campo Maior para engalanar a entrada do estádio”, disse.

Além das flores de papel, vai ser criado um espaço de promoção e divulgação turística do concelho de Campo Maior e das Festas do Povo, numa iniciativa apoiada pela Embaixada de Portugal no Japão. As Festas do Povo de Campo Maior são reconhecidas internacionalmente pela sua originalidade e cariz popular, com os habitantes a preparar, durante meses, a ornamentação das ruas com flores de papel.

De tradição secular e consideradas um evento tradicional único, a última edição das festas decorreu em 2015. As festas, por tradição, só acontecem quando o povo quer, pois a sua realização depende do voluntariado e da força de vontade das suas gentes.

A preparação é feita rua a rua, sendo que o trabalho desenvolvido em cada uma delas fica em segredo, mesmo para amigos e familiares dos moradores, e só é dado a conhecer na noite da enramação (quando são decoradas as ruas). Em 2015, perto de 7.500 voluntários prepararam a última edição das Festas do Povo, na qual participaram 99 ruas, numa extensão de cerca de 10 quilómetros.