O caso e-toupeira, que se tornou público a 6 de março com uma mega operação da Polícia Judiciária que envolveu cerca de 50 elementos da PJ, um juiz de instrução criminal e dois magistrados do Ministério Público num total de 30 buscas nas áreas do Porto, Fafe, Guimarães, Santarém e Lisboa (seis para buscas domiciliárias, 21 de buscas não domiciliárias e um de busca a gabinete de advogado) para “apreensão de relevantes elementos probatórios”, como explicou na altura em comunicado a Procuradoria Geral da República, passou a ter mais dois arguidos, de acordo com o Jornal Económico.

Assim, e numa informação confirmada pela Procuradoria Geral da República à publicação, o inquérito tem assim um total de sete arguidos. Apesar de não serem ainda conhecidas as identidades das pessoas em causa, uma fonte próxima do processo referiu que serão mais dois oficiais de justiça, acusados de terem alegadamente atuado em favor dos interesses do Benfica.

Depois dessa grande operação a 6 de março, Paulo Gonçalves, assessor jurídico da SAD do Benfica, e José Nogueira Silva, técnico de informática do Instituto de Gestão Financeira e Equipamento, ficaram em prisão preventiva antes de serem presentes a primeiro interrogatório no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, no dia seguinte. Gonçalves, indiciado de um crime de corrupção ativa e quatro de violação do segredo de Justiça em co-autoria, saiu em liberdade e ficou apenas proibido de contactar com os restantes arguidos no processo (o Ministério Público pedia na altura que o advogado ficasse impedido de ir à Luz durante um determinado período), ao passo que Nogueira Silva, indiciado de um crime de corrupção passiva, um de favorecimento pessoal, quatro de violação de segredo de Justiça, um crime de falsidade informática e nove crimes de acesso ilegítimo e burla informática, acabou por ficar com a medida de coação mais pesada: prisão preventiva.

Além destes, o processo tinha já mais três arguidos: Júlio Loureiro, funcionário judicial no Tribunal de Fafe que tinha sido também observador de árbitros de primeira categoria; José Manuel Ribeiro, um funcionário judicial já reformado que teria sido cúmplice de José Nogueira Silva; e Óscar Cruz, empresário de jogadores que terá servido de intermediário entre Paulo Gonçalves e Júlio Loureiro e José Nogueira Silva.