A final da Taça de França teve pouca história dentro de campo mas muitos capítulos extra 90 minutos: numa disparidade de argumentos acima de David e Golias, o PSG venceu de forma tranquila por 2-0 os Les Herbiers, uma equipa amadora que luta pela permanência na 3.ª Divisão, e Thiago Silva, capitão do conjunto vencedor, fez questão de chamar o homólogo derrotado para com ele levantar o troféu, num gesto de fair play que ficará para a posteridade. Todos acabaram a sorrir menos um: Dani Alves, o brasileiro que reforçou o estatuto de jogador com mais títulos conquistados no futebol (38), sofreu uma lesão com alguma gravidade no joelho. Agora, surge a confirmação: o lateral está mesmo fora do Campeonato do Mundo.

O Globoesporte detalha todos os passos até esta certeza que promete ser uma dor de cabeça para o Brasil depois da final da Taça, e cientes da gravidade do problema, o médico Rodrigo Lasmar e o coordenador das seleções, Edu Gaspar, foram para Paris para se inteirarem da real dimensão do problema. Após uma reunião de quatro horas onde estiveram também o jogador e o departamento médico do PSG, concluiu-se que seriam feitos exames complementares para que fossem esgotadas todas as possibilidades de recuperação a pedido de Tite, que tinha colocado o lateral como capitão nos principais jogos particulares. Agora, ficou claro que não existe possibilidade de recuperação: mesmo que daqui a três semanas se chegasse à conclusão de que não haveria necessidade de haver uma cirurgia, o jogador teria ainda pela frente mais seis semanas até ser considerado apto da “desinserção no ligamento cruzado anterior do joelho direito” que foi diagnosticada, além da entorse na mesma zona.

De acordo com as contas do L’Équipe, Dani Alves, de 35 anos, reforçou esta semana a liderança do ranking de jogadores com mais títulos conquistados por clubes e seleções, 38, mais dois do que o compatriota Maxwell, que integra agora a estrutura de futebol do PSG com o português Antero Henrique. Seguem-se ainda no top-10 nomes como Hossam Hassan, Oleksandr Shovkovskiy, Ryan Giggs, Zlatan Ibrahimovic, Vítor Baía, Kenny Dalgish, Andrès Iniesta e Lionel Messi.

Façamos então as contas às conquistas desde 2002, altura em que ganhou a Copa do Nordeste pelo Bahia antes de rumar ao Sevilha: duas Taças UEFA, uma Supertaça Europeia, uma Taça e uma Supertaça de Espanha nos andaluzes (2002-2008); três Ligas dos Campeões, três Mundiais de Clubes, três Supertaças Europeias, seis Campeonatos, quatro Taças e quatro Supertaças de Espanha no Barcelona (2008-2016); um Campeonato e uma Taça de Itália na Juventus (2016/17); um Campeonato, uma Taça, uma Taça da Liga e uma Supertaça no PSG (a partir de 2017); duas Taças das Confederações, uma Copa América e um Mundial Sub-20 pelo Brasil, entre 2003 e 2013. Dani Alves participou também nos Mundiais de 2010 e 2014.

Além de ser ainda hoje um dos melhores e mais influentes laterais direitos no futebol europeu, o brasileiro é também conhecido pelas várias polémicas que foi tendo ao longo dos 16 anos em que está na Europa. Mais recentemente, esteve em foco com um gesto que teve durante a eliminatória nos oitavos de final da Champions frente a Cristiano Ronaldo (e numa altura em que o Real Madrid estava qualificado para a fase seguinte da prova) e com as críticas após declarações consideradas “insensíveis” após a morte de Davide Astori, nomeadamente do italiano Mario Balotelli, a quem respondeu depois nas redes sociais. “O futebol está a perder o brilho, para quem quer ser atleta, hoje o futebol é um comércio. Sinceramente, cada vez gosto menos de futebol”, assumiu o lateral do PSG numa entrevista em março deste ano. Em paralelo, temos também exemplos que mostram o “outro” Dani Alves – o caso paradigmático foi a revelação de Abidal que o brasileiro se oferecera para dar parte do seu fígado.

O vídeo que correu mundo ganhou uma interpretação errada e Abidal teve de fazer um esclarecimento

Num texto escrito para o The Players’ Tribune intitulado “O Segredo” (um dos textos que mais impacto teve, lançado em maio de 2017), Dani Alves revelou uma série de histórias da infância/adolescência difícil que passou, bem como episódios vividos no Sevilha, no Barcelona e na Juventus, com um início onde resumia aquilo que considerava ser uma espécie de perceção geral que havia sobre si: “Vou começar por contar um segredo. Na verdade, você pode tomar conhecimento de alguns segredos nesta história, porque sinto que sou incompreendido por muita gente”.