As sanções reintroduzidas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, contra empresas estrangeiras que trabalham no Irão “são inaceitáveis” e devem ser negociadas com os europeus, declarou esta quinta-feira o chefe da diplomacia francesa. “Dizemos aos norte-americanos que as sanções que vão tomar dizem respeito a eles. Mas consideramos que a extraterritorialidade das suas medidas de sanções é inaceitável“, sublinhou Jean-Yves Le Drian numa entrevista divulgada no site do diário francês Le Parisien.

O presidente Trump anunciou na terça-feira que o seu país se retirava do acordo sobre o programa nuclear do Irão e que iria reintroduzir uma série de sanções visando empresas tanto norte-americanas como estrangeiras que negoceiam com o Irão. “Os europeus não têm de pagar pela retirada dos Estados Unidos de um acordo, para o qual eles próprios contribuíram”, insistiu o ministro dos Negócios Estrangeiros de França.

“Entre europeus, temos de aplicar as medidas necessárias para proteger os interesses das nossas empresas e iniciar negociações com Washington sobre este assunto”, adiantou.

O acordo nuclear foi concluído em 2015 entre o Irão e o grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido – e a Alemanha). A decisão norte-americana impõe às empresas estrangeiras prazos muito curtos, na ordem de três a seis meses, para se retirarem do Irão, proibindo a realização de novos contratos, sob pena de sofrerem sanções dos Estados Unidos. O acordo permitiu o levantamento de parte das sanções internacionais em troca do compromisso de Teerão de limitar o seu programa nuclear a fins civis. Os três países europeus signatários do acordo (França, Reino Unido e Alemanha) querem mantê-lo para lutar contra a proliferação nuclear, enquanto o Irão pede garantias em termos de benefícios económicos para não o abandonar.